Uma noite de dança, liberdade e visibilidade

*Por: Maria Rachel Fonsêca Braga

Se eu não posso dançar, não é minha revolução! – Emma Goldman

cartaz_visibilidade_lésbica

Arte: Mandy Otohime/MMM-Agreste.

Relato aqui, ainda emocionada, ainda estonteante, com o polegar esfolado da batucada, o dia que para mim, mulher lésbica, foi o mais importante na minha militância. O dia em que pude, junto com companheiras também lésbicas, bissexuais, heterossexuais, me sentir livre para gritar, marchar e até arriscar uns passos de dança em um flash mob em homenagem à cantora e ativista feminista Vange Leonel, o mais lindo e irreverente do mundo!

O que mais emocionava era ver meninas lésbicas, que atenderam o nosso convite, chegando e nos somando, ainda tímidas, ainda meio perdidas. Identifiquei-me com elas a cada momento, em cada olhar ainda desconfiado, fruto de uma sociedade que estigmatiza, exclui, maltrata e vulnerabiliza. Soltei-me com elas, aos poucos, nos sentimos acolhidas juntas, nos acolhemos juntas. Sabemos melhor do que ninguém nossos medos e frustrações, conhecemos como ninguém nossas angústias, sentimos na pele a todo o momento a violência que nos cerca e a dor de não poder ainda, ser na integridade, quem somos.

Senti-me acolhida pela Marcha Mundial das Mulheres desde o começo da minha caminhada, e queria que aquelas meninas pudessem sentir o mesmo. Queria que elas sentissem que só marchando por nossos direitos podemos mudar o sistema patriarcal, lesbofóbico e heteronormativo que nos afeta.

E foi com esse cenário de revolução, amor e muito brilho que saímos para pontos estratégicos da cidade de Caruaru (Pernambuco) com um bandeirão LGBT para fazer a nossa batucada com a nossa dança. Dançar pelos nossos direitos, batucar para sermos ouvidas. Cantamos também as paródias irreverentes do Bloco Carnavalesco e coletivo lésbico de Recife Ou Vai ou Racha. Com alegria, mostramos a que viemos e o que somos, mostramos juntas, do que somos capazes. Mostramos que não somos objeto de fetiche, que nosso amor é tão bonito e tão legítimo quanto qualquer outro. Que existimos e que temos voz.

Agradeço a todas as mulheres da Marcha que batucaram, cantaram e dançaram no ato e que juntas nos apoiamos, nos formamos e nos construímos com afeto. Àquelas meninas que ontem se uniram a nós e que eu não lembro os nomes, meu agradecimento pela confiança, pela união, pela noite maravilhosa que tivemos. O sentimento é de gratidão e libertação. Sigamos em Marcha até que todas sejamos livres!

Maria Rachel Fonsêca Braga, militante da Marcha Mundial das Mulheres de Pernambuco – Núcleo Agreste.

bandeirao

Ação da MMM-Agreste pelo Dia da Visibilidade Lésbica em Caruaru (PE).

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