Não somos objetos! Vamos ocupar a política e lutar por uma #ConstituiteJá!

*Por Letícia Carvalho

Quando pensamos em mulheres na política, já nos deparamos com enormes desafios. Isso tanto na realidade do dia a dia da mulherada, como também, numa conversa com entre algumas de nós sobre política e candidatura, por exemplo. Infelizmente, criadas sob o julgo do patriarcado, que sinaliza e instruí que nosso lugar é dentro das paredes da esfera privada, não nos aventuramos na ocupação do espaço político sem que isso nos traga sérios entraves. Também, não nos foi ensinado que deveríamos confiar a administração pública para mulheres.

politicaAo vencerem as duplas e triplas jornadas de trabalho, enfrentarem os espaços mistos de política, as mulheres se candidatam e tem de lidar com uma campanha, que dentro do nosso sistema político atual, é marcada por grandes cifras de dinheiro,corrupção e comandada por homens, que utilizam qualquer espaço para oprimir ou objetificar as mulheres.

Prova disso, foi a matéria públicada na página da UOL, no último dia 21 de agosto, assinada pelo jornalista Vinícius Segalla. Nessa oportunidade o jornalista aproveita de três parágrafos que abrem a matéria para descrever fisicamente as mulheres brasileiras, em especial, as que estão disputando cargos políticos nessa eleição. Seguindo a matéria, um álbum foi criado com um número considerável de mulheres, que segundo critério do portal, está enquadrado no quesito “padrão de beleza da mulher brasileira”.

Guardado os posicionamentos políticos, no primeiro debate dos/as presidenciáveis desse ano corrente, na emissora Band, contando com a presença de três mulheres candidatas, vimos de maneira clara e constrangedora, o candidato do Partido Verde, Eduardo Jorge, usar argumentos referentes à estrutura corporal para criticar a política da candidata Marina Silva. Que tipo de liberdade é dada aos homens para em rede nacional, ou em qualquer lugar que for, eles terem esse arbítrio de julgar a nossa capacidade política, a partir do argumento de ser magra ou gorda? Diante do ocorrido, a Internet, território repleto de machismo, começa a reproduzir em série, deturpações e desqualificações sobre a candidata.

Lembrando que esses estereótipos não são novos. As mulheres que sempre estiveram fazendo política, quando se lançaram na disputa dos espaços públicos com os homens, constantemente receberam rótulos. Louca, histérica, péssima mãe e esposa, mal amada e a lista alonga-se.

Desde o Movimento Estudantil, quando começamos a fazer falas e ir para o enfrentamento político, somos levadas ao silenciamento e ao julgamento que precede a nossa possibilidade de colocarmos nossas formulações. Risinhos ou outros modos de coerção, são constantemente relatados pelas mulheres que iniciam sua trajetória dentro desses espaços públicos.

As cotas dentro dos partidos não nos são suficientes, quando temos as barreiras do financiamento das campanhas e do próprio lugar de invisibilidade que é .Não é por falta de vontade das mulheres de ocuparem esses espaços, mas por falta de estrutura que acaba pesando na nossa escolha e infelizmente, mulheres que já se candidataram afirmar com muita certeza que não o fariam novamente.

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A luta pela Reforma Política é urgente e muito acertada para as mulheres da classe trabalhadora. Precisamos nos organizar com muita força para a construção do  Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, que ocorrerá entre os dias 01 e 07 de setembro de 2014.

“A procuradora da Mulher no Senado, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), também defende a reforma política como forma de ampliar a participação feminina. A senadora reconhece que a presença aumentou, mas ainda precisa melhorar.  “Hoje, infelizmente, a cara do Parlamento e da política brasileira é uma cara masculina. E ela tem que ser uma cara com duas faces: um lado masculino e o outro feminino”, disse Vanessa. O Brasil está na posição de número 156 no ranking da representação feminina no Parlamento, entre 188 países, conforme levantamento que consta na cartilha + Mulher na Política: Mulher, Tome Partido, feita pela procuradoria. Na comparação com 34 países das Américas, ocupa o 30º lugar”. Fonte: Agência Brasil

Somos quase 52% entre os/as votantes e não alcançamos nem os 10% de representação nos cargos, por isso, mudar o sistema político para mudar a vida das mulheres, para incidirmos na política e na despartriacalização do Estado, é para agora, esta na nossa agenda do dia, em especial, do 01 ao 07 de setembro!

“Nas eleições deste ano, as mulheres representam pouco mais de 30% das candidaturas considerando todos os cargos disputados (presidente da República e vice, governador e vice, deputados e senadores). Na corrida para o Senado, por exemplo, de 182 candidatos, 35 são mulheres. Para a Presidência da República, três candidatas tentam a vaga – Dilma Rousseff, Luciana Genro e Marina Silva. A maior proporção de mulheres (36,4%) está entre as indicadas para o cargo de vice-presidente. A corrida pelo comando dos governos estaduais é a que tem menor participação feminina. Apenas 17 mulheres concorrem a uma vaga para os Executivos estaduais entre as 169 candidaturas, o equivalente a pouco mais de 10%, segundo registro do TSE”. Fonte: CNM/CUT

Não vamos deixar que as mulheres continuem sem ter interesse na política, sem se reconhecer nas candidaturas que são colocadas,como também, não só ocupando os números reservados às costas para substituir homens ficha suja.
Queremos mulheres da classe trabalhadora, queremos mulheres negras, queremos mulheres lésbicas, queremos mulheres feministas e comprometidas com o fim do patriarcado, queremos espaço e liberdade! Queremos ter cidadania ativa, não só direito ao voto! Queremos uma nova política! Queremos construir o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

*Letícia Carvalho é militante da Marcha Mundial das Mulheres na Paraíba.

Comments

  1. Mineia Clara Dos Santos says:

    Gente to muito revoltada com o que a rede de televisão Globo está anunciando se vocês ainda não observaram por favor vejam “SEXO E AS NEGAS ” todas negras …por favor temos que fazer algo …Constituinte já !!!

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