“Marias da Silva”, núcleo da Marcha em Santa Maria/RS.

*Por Janaína Betto e Marjana Lourenço

Encontro da MMM em Santa Maria.

Encontro da MMM em Santa Maria.

Estivemos reunidas, mulheres do movimento estudantil (DCE, APG e demais entidades), do MNLM e do CPERS, no dia 30 de novembro de 2014 em Santa Maria – RS, na presença da companheira Maria do Carmo da MMM de Porto Alegre – RS, para a fundação do núcleo “Marias da Silva” da Marcha Mundial das Mulheres em Santa Maria – RS.

A aspiração pela criação de um núcleo vem desde a participação de algumas militantes no 9° Encontro Internacional em São Paulo – SP no ano de 2013 e do anseio em termos um espaço coletivo de auto-organização de mulheres que viesse a contribuir com o nosso empoderamento enquanto mulheres. Um grupo em que nós mulheres pudéssemos nos enxergar enquanto companheiras, atuando lado a lado na luta por uma sociedade sem a exploração dos nossos corpos e de nossas vidas.

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MMM em Santa Maria

O nome do núcleo surge a partir da discussão sobre a invisibilidade da mulher em diferentes contextos – em relação a memória, a resistência e a luta diária pela sobrevivência – e se refere a junção dos nomes de três mulheres – Alceri Maria Gomes da Silva, Ignez Maria Serpa Ramminger e Maria Silvana da Silva.

Alceri Mari Gomes da Silva foi uma mulher gaúcha, negra do movimento operário que engajou na luta contra a ditadura militar como integrante da vanguarda popular revolucionária (VPR) e foi morta em um confronto com quatro tiros. Representa o direito à memória.

Marias da Silva

Marias da Silva

Ignez Maria Serpa Ramminger é uma mulher gaúcha que iniciou sua militância no movimento estudantil da UFRGS. Ex-presa política, participou da resistência armada à ditadura militar através do VAR-Palmares e com 21 anos foi presa e torturada, sofrendo diferentes formas de violência muito em função de ser mulher:

“A mim, por ser mulher, diziam que éramos putas e coisas parecidas; faziam coisas indizíveis.”

A homenagem a esta mulher representa o reconhecimento da resistência de diversas companheiras que passaram por diferentes formas de violência durante a ditadura e que hoje segue na militância na direção da Central dos Movimentos Populares de Porto Alegre. 

Maria Silvana da Silva foi uma mulher santamariense assassinada aos 26 anos, ao ser atirada de um viaduto na cidade de Santa Maria – RS. Garota de programa e mãe de 2 filhos, representa nesse contexto a luta diária pela sobrevivência de quem, como relata a irmã, na vida teve poucas oportunidades, para não se dizer nenhuma.

Ciranda

Ciranda

Reavivadas pelas histórias destas três mulheres que até então, assim como milhares de outras, tiveram suas vidas marcadas pela opressão e violência do sistema capitalista e patriarcal, que nós mulheres nos colocamos em marcha. Em marcha por nossa autonomia enquanto sujeitas históricas e protagonistas da transformação social, por nosso direito de viver livremente nossa sexualidade e decidir sobre nossos corpos. Em marcha pelo fim do machismo que mata ‘silenciosamente’ todos os dias, pelo fim da discriminação e dos padrões que nos são colocados. Em marcha pela vida das mulheres!

“Seguiremos em marcha até que TODAS sejamos livres!”

*Janaína Betto e Marjana Lourenço são militantes da Marcha Mundial das Mulheres em Santa Maria/RS

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SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

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