Mulheres nas ruas pela redução da tarifa do transporte! Queremos poder popular e Plebiscito Oficial pela Constituinte!

Por: Flávia Bigai*

Dados sobre o perfil do usuário do transporte coletivo em na cidade de São Paulo demonstram que 51% é formado por mulheres. No metrô, o público feminino representa quase 60% dos usuários.

Não basta a desvalorização salarial que as mulheres enfrentam, recebendo os menores salários (representam, por exemplo, 83,1% do professorado no Brasil, cuja atividade é uma das mais desvalorizadas, pois se entende que ensinar é um dom e não uma profissão). Essas mesmas mulheres que recebem os menores salários e que contribuem com os lucros dos(as) grandes empresários(as) enfrentam também a desvalorização social: sofrem assédio sexual nos transportes superlotados e precários e, em muitas vezes, são culpadas por esse assédio.

É importante mencionar que a discussão sobre o transporte público também envolve políticas que coíbam o assédio no transporte público e combatam a superlotação dos mesmos. Algumas dessas mulheres que trabalham e que recebem os menores salários são chefes de família, ou seja, são responsáveis por várias pessoas que dependem delas para sobreviver. Estudos apontam um quadro de preocupação social a partir desse fato.

Como pagar 3,50 na passagem? E o aumento não ocorreu somente na cidade de São Paulo: é preciso lembrar que ônibus da região metropolitana sofreram aumentos que ultrapassam 16%. Como sustentar toda a família com essa tarifa abusiva? Outro detalhe: essas mulheres, além de trabalharem, levam seus filhos para a creche/escola e também estudam e utilizam o transporte público para outras atividades que ultrapassam o trajeto casa-trabalho.

Aliás, o transporte público não serve somente para levar as pessoas ao trabalho. Outro dilema importante diz respeito ao acesso à cidade e à integração com o espaço público. Na medida em que a socialização da mulher ocorre principalmente no espaço doméstico e familiar, ao restringir o acesso ao espaço público através do preço abusivo da passagem, estamos aprisionando a mulher no espaço privado onde se realiza o trabalho doméstico – trabalho esse fundamental para a manutenção da vida de outras pessoas – e restringindo o acesso aos bens que a cidade oferece, ou seja, cultura, lazer, etc.

financiamento

Priorizar o mercado e os lucros dos barões do transporte em detrimento de políticas públicas que atendam as demandas da mulher que trabalha somente acentua a desigualdade. As mulheres que trabalham necessitam de investimentos que atendam suas necessidades: a construção de creches públicas e de qualidade é um deles.

Lembrem-se de que “quem paga a banda escolhe a música”. É importante mencionar que as empresas de transporte público financiaram campanhas eleitorais nas últimas eleições, logo, essas empresas querem o retorno de seus investimentos. Ou alguém já se esqueceu do cartel metroferroviário para fraudar licitações que operou no estado de São Paulo entre 1998 e 2008, durante os governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin? Onde o resultado foram contratos com preços até 20% superiores ao preço comum?

É o poder econômico que está no governo formulando políticas que atendam aos interesses dos empresários, e é esse mesmo poder econômico que decide os rumos da cidade. Por isso, é necessário acabar com o financiamento privado de campanhas eleitorais, e isso somente será possível com uma reforma política.

politicas-mulheresOs meios de comunicação que detêm o monopólio da informação ocultam qualquer forma de participação popular. Em 2014, através de um plebiscito popular, quase 8 milhões de pessoas em todo o Brasil votaram “sim” para uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, ou seja, para que ocorra uma reforma que proíba o financiamento privado de campanhas e que permita a participação popular na política.

Somente com um plebiscito oficial poderemos dar continuidade a esse processo. Sem o financiamento privado de campanhas teremos maior participação de mulheres na política, formulando políticas para as mulheres! Políticas que atendam aos interesses dos trabalhadores e trabalhadoras e não os interesses dos empresários.

Mais mulheres na política, mais política para as mulheres usuárias do transporte público!

Nossa luta é pelo Plebiscito Oficial! Pela Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político! Queremos poder popular!!

* Flávia Bigai é militante da Marcha Mundial das Mulheres do ABC / São Paulo.

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