Lojas HAVAN e o retrato do domínio capitalista sobre nossos territórios e nossas vidas

Por Gabriela Cunha e Luci Jorge

Publicado também no blog da MMM RS

Em 25 de janeiro de 2021 moradores da cidade de Canoas-RS denunciam destruição de área de preservação ambiental, na beira do Arroio Araçá, para construção de mais uma Loja HAVAN no estado. Além desta, há novas lojas sendo construídas nas cidades de Canela (região serrana) e Capão da Canoa (litoral norte), além das lojas já abertas em Caxias do Sul, Erechim, Gravataí, Ijuí, Passo Fundo, Pelotas, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Viamão e Guaíba. A rede de lojas catarinense sob comando de Luciano Hang é expressão do capitalismo desenfreado, que se expande e invade territórios, promove o desmatamento, destrói os tecidos sociais locais como de mercados e consumo, e ainda alega desenvolvimento aos municípios por geração de alguns poucos empregos, mas soma mais de 2 milhões em sonegação de impostos dentre outras violações administrativas e aos direitos humanos.

Denunciamos o poder corporativo das transnacionais que, através de muitos instrumentos, colocam os Estados a serviço dos seus lucros, articulando com diferentes esferas de poder econômico, político, cultural e jurídico. Luciano Hang acumulou sua riqueza com empréstimos no BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com dinheiro público. E em 2018 foi um dos maiores investidores na campanha para presidência de Jair Bolsonaro e seu governo genocida.

As lojas HAVAN seguem um modelo de megalojas que vendem produtos de diversos segmentos, por preços mais baratos que o mercado local oferece. Isso só é possível porque compram e importam mercadorias produzidas em países pobres, de pessoas que trabalham em situações análogas à escravidão, como na Ásia e principalmente na área de têxtil. Relembramos o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, no ano de 2013, que matou 1138 mulheres que confeccionavam roupas de grandes marcas da indústria da moda. Com isso, através do discurso do “livre mercado” as lojas Havan acabam por destruir tecidos sociais locais de comércio e consumo, controlando esses segmentos nos territórios.

A tentativa das transnacionais em manter seus nomes descolados das inúmeras violações com programas e ações de “responsabilidade social empresarial” chamamos de maquiagem verde ou maquiagem lilás, sendo uma estratégia para ocultar a violência e exploração da acumulação capitalista. As lojas Havan tem destruído áreas de conservação ambiental, desmatado, alterado a dinâmica das águas, e contribuído para um sistema de livre comércio de importação de produtos que explora, principalmente o trabalho das mulheres, acumulando todo o lucro gerado, desde a extração de matéria-prima até a produção e distribuição de bens e serviços, poluindo o ar e as águas com seus transportes marítimos de grande escala.

A rede de aliança feminista pelo mundo, com suas teorias e práticas, transforma a realidade de pobreza e destruição da natureza, reconstruindo laços comunitários, buscando justiça social e ecológica e pondo a sustentabilidade da vida no centro das nossas práticas e resistências. Denunciamos as inúmeras violações nos territórios que as lojas Havan, seus donos, em parceria com os governos municipais e estaduais, têm causado. Lutamos por outras formas de promover o trabalho e o comércio das cidades, em conexão com a produção ecológica de alimento no campo, com valorização e reconhecimento do trabalho das mulheres com o cuidado e reprodução da vida, e que este seja partilhado de forma justa como responsabilidade de todos e todas.

Desejamos outras formas de desenvolvimento econômico no nosso estado, de forma auto-gestionada, e que as mulheres sejam ouvidas e participantes das decisões. Nosso trabalho sustenta a economia! Não precisamos de empresas transnacionais para viver, precisamos de transformação da lógica da sociedade, mudando radicalmente do lucro para a vida como central.              

FONTE:

https://www.marchamundialdasmulheres.org.br/mulheres-debatem-enfrentamento-as-empresas-transnacionais-em-24h-de-solidariedade-feminista/

https://www.extraclasse.org.br/economia/2018/02/havan-expandiu-atividades-com-dinheiro-publico/

https://noticiasdaaldeia.com/2021/01/27/grupo-quer-parar-obras-da-havan/

obs: para construção deste texto, nos inspiramos em produções feitas pelas militantes da MMM Brasil para a 5º Ação Internacional de 2020, utilizando de frases e ideias encontradas no 
MMM Blog e MMM Site.

*Por Gabriela Cunha e Luci Jorge, militantes da Marcha Mundial das Mulheres no Rio Grande do Sul.

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