Basta de violência contra as mulheres, basta de Bolsonaro!

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*Por Lourdes Simões

No 25 de Novembro, Dia Internacional de Eliminação da Violência contra as Mulheres fomos as ruas, nós da Marcha Mundial de Mulheres nos juntamos a vários coletivos, organizações, partidos de esquerda, para denunciar o completo desmonte das políticas públicas de combate à violência contra a mulher em nível federal, que vem reverberando de forma avassaladora no estado e nos municípios, que a cada dia deixam as mulheres condenadas a própria sorte.

Vale lembrar que este desmonte é parte da política global de estado em consonância com o momento de rearranjo ultraliberal a que estamos submetidos/as no mundo capitalista. Esta é a real razão pela qual as vidas das mulheres estão agora, mais do que nunca, em risco. Estar nas ruas neste 25 de novembro foi primordial para fazer o combate a violência a que estamos submetidas neste sistema capitalista, patriarcal e racista, que usa nosso trabalho, invisível e não quantificado para reproduzir a exploração capitalista e nos impõe condições subalternas e, portanto, passíveis de sermos exploradas, abusadas, estupradas e assassinadas.

Em Campinas, essa data já está consolidada pelo movimento organizado de mulheres. Aqui, enfrentamos duramente o aumento de índices de violência contra mulheres, levantamentos recentes trazem dados alarmantes para nossa cidade: até junho de 2019, a região de Campinas havia registrado 53 feminicídios. Sabemos que, infelizmente, esses números são subnotificados e que a realidade é ainda mais terrível para as mulheres. Como se não bastasse, pesquisa inédita feita pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp mostrou que a taxa média de mortes de mulheres por feminicídio em Campinas é maior do que a média do estado de São Paulo. Enquanto a média no estado é de 2,4 mortes a cada 100 mil habitantes, em Campinas esse número sobe para 3,18 casos de feminicídios a cada 100 mil habitantes.

O aumento de índices da violência contra mulheres e o feminicídio está diretamente conectado com o governo Bolsonaro desde que assumiu a presidência, porque Bolsonaro sucateia serviços de atendimento, dissemina preconceitos e desinformação e nos trata como objeto. Bolsonaro incentiva a violência contra a mulher, naturalizando e fazendo com que os homens se sintam mais confortáveis em nos violentar. Corta recurso do combate a violência ao invés de aplicar recurso em política focada na prevenção e no atendimento das mulheres em situação de violência.

Em função do aumento da violência em Campinas as organizações de mulheres da cidade definiram, como gesto concreto na luta pelo fim da violência , o lançamento de uma campanha para que o poder público desenvolva de forma contínua um conjunto de ações de conscientização e prevenção à violência, que estão previstas na Lei 10.941 aprovada em 2001 e que não foram implementadas, esta lei prevê o uso dos espaços públicos e de publicidade, tais como: escolas, creches, hospitais, ônibus, da cidade de Campinas, para campanhas educativas que combatam a violência praticada contra as mulheres.

Lançamos um abaixo assinado para dialogar especialmente com as mulheres e coletar assinaturas para exigir do poder público a aplicação da lei. Faremos a coleta de assinaturas até dia 8 de Março de 2020, quando, somadas ao conjunto das atividades do Dia Internacional de Luta das Mulheres, teremos um momento de entrega das milhares de assinaturas que coletaremos para exigir do executivo a aplicação imediata da Lei. Certamente, a coleta de assinatura nos permitirá criar espaços para dialogar com as mulheres sobre o quanto a violência estrutura as relações entre homens e mulheres, neste mundo capitalista.

Seguiremos em luta, firmes e mobilizadas pela palavra de ordem que nos orientou neste 25 de novembro, “Basta de violência contra as mulheres, basta de Bolsonaro!”, para fazer o combate a todas as formas de violência que este governo impõe à classe trabalhadora, construindo coletivamente ações para enfrentar o desmonte de direitos e a crescente criminalização dos movimentos sociais. Precisamos estar mobilizadas contra o aprofundamento da violência que condena as mulheres a morte diariamente, em suas casas, no ambiente de trabalho e nas ruas. Assim, reafirmamos o chamado da Marcha Mundial de Mulheres que nos organiza em 2020: “Resistimos para viver, Marchamos para transformar”!

*Lourdes Simões é militante da Marcha Mundial das Mulheres de Campinas (SP).

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