Para além do escracho: é preciso romper com as amarras do patriarcado

*Por Mariana Lacerda

Quando eu li o post mais compartilhado na minha bolha esses dias, fiquei triste pelo fato, mas nada que eu fosse jogar minhas energias, afinal tem tanta coisa mais dura aqui do meu lado para eu dar meu tempo, atenção, visibilidade e tal. Mas como o facebook é uma bolha, todas(os) à minha volta estavam lendo e comentando esse texto. Eu me mantinha firme, só não dar atenção a isso.

4ª Ação Internacional da MMM no RJ (30/08/15).

Agora a coisa tá ainda maior, depois da campanha #meuamigosecreto vem a campanha #meuartistasecreto para denunciar os casos de machismo e violência que várias mulheres sofreram. A minha questão é simples, mas pode parecer bem complexa: E depois? O que vamos fazer?

Denunciamos o machista nas redes, paramos de escutar suas produções, nos sentimos mais aliviadas por não guardar mais tudo isso e por compartilhar com quem a gente conhece ( e com quem a gente nunca viu na vida).

E depois?

Precisamos entender que a opressão que sofremos estrutura essa sociedade, que se retroalimenta por esse sistema capitalista. Então amigas, lamento. Mas escrachar, deixar de ouvir, evitar os lugares não vai acabar com o problema da opressão que sofremos, se não nos propomos a lutar contra essa sociedade que nos oprime, nos violenta e nos coloca como seres inferiores.

Precisamos mais do que isso. O feminismo é a teoria e a prática pela libertação das mulheres. É uma prática permanente, só vamos conseguir viver sem machismo quando alteramos a lógica da sociedade. E quantas de vocês estão dispostas a isso? Quantas se organizam em coletivos de mulheres? Quantas fazem ações com outras mulheres? Quantas estão em algum lugar, compartilhando experiências sobre feminismo com outras mulheres (Para além do Facebook)? Quantas participam da agenda do movimento feminista? Quantas fazem parte do movimento feminista?

Digo isso de forma meio angustiada em ver que toda essa identificação com o feminismo da minha geração e gerações mais novas não se reflete em mais autonomia, em mais força para não cair em relações abusivas, em menos prisão ao padrão de beleza.

Só vamos acabar com a violência e a opressão que sofremos quando todas as mulheres se verem como sujeitas. É assim que acontecem com as mulheres do textos que lemos do qual eu falei no início: elas percebem que não devem passar por aquilo e para isso precisam se ver como sujeitas, precisam ter força nelas e em outras companheiras para conseguir romper com o ciclo da opressão.

Devemos lutar para construir um mundo onde seja possível ter relações saudáveis. Em que a minha liberdade não se dá ao fim do relacionamento, mas durante toda a relação. Precisamos construir novos homens e mulheres!

*Mariana Lacerda é militante da Marcha Mundial das Mulheres do Ceará 

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