Fidel e as borboletas

mariposas

As irmãs Mirabal

Daniela França Chagas*

Coincidência ou destino que Fidel Castro, o grande comandante, morreu justo no dia 25 de novembro. Data icônica, especialmente para nós mulheres latino-americanas, pois se celebra o dia latino-americano e caribenho de não-violência contra as mulheres.

A data foi estabelecida em  1981, no Primeiro Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe, em Bogotá, Colômbia, em memória as irmãs Mirabal: Las Mariposas, como eram conhecidas as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, que também lutaram contra o governo caudilhista e aliado aos interesses dos Estados Unidos, de Rafael Leonidas Trujillo, na Revolução Dominicana.

No dia 25 de novembro de 1960, as irmãs foram vítimas de uma emboscada preparada a mando do governo de Trujillo. Contudo, seus ideais de liberdade e a luta contra a opressão mantiveram-se vivas e foram imortalizadas no livro No tempo das borboletas, de Júlia Alvarez. “Las Mariposas” não conseguiram concluir o seu intento, contudo a morte delas foi fundamental para a queda do ditador.

Figuras tão diferentes, unidas no sonho de uma pátria livre, com justiça social e distante do imperialismo norte-americano. Ambos, Fidel a as Mirabal dedicaram suas vidas, mesmo que isso fosse por alguns anos ou por uma vida toda, a causa que acreditavam.Porém, o que distancia Fidel das Mirabal foi o tempo: mortas muito cedo tornaram-se heroínas,muitas vezes beatificadas e distanciadas das moças comum que foram. Já Fidel viveu tempo demais para ter de carregar os seus erros e de outros também.

Com a morte de Fidel, muitos afirmam que é o fim de um ciclo, que é necessário sepultá-lo junto com o século XX. Contudo, discordo. Mais do que nunca, é preciso “mante-lo vivo”, é preciso cantar os feitos daquela revolução, mas é preciso resgatar também, as irmãs Mirabal, bem como aqueles e aquelas que lutaram por uma América Latina livre. Manter esta memória latino-americana viva é uma resistência a processos anti-democráticos que voltam a assombrar o continente latino-americano, como pode ser observado no caso brasileiro em que a presidenta Dilma Rousseff foi deposta por um golpe parlamentar.

Além disso, a morte de Fidel, justo nesta data, aponta um norte para esquerda:numa luta por justiça social, pelo fim das desigualdades de classe, deve ser aliada a luta pela emancipação das mulheres. A luta pela legalização do aborto, fim da violência contra as mulheres, e a igualdade de gêneros, entre as demais pautas do feminismo, que devem ser centrais para esquerda do século XXI.

*Daniela é graduada em Letras, faz mestrado em Estudos Literários e é militante da Marcha Mundial de Mulheres de Minas Gerais.

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