Nota de repúdio contra as declarações machistas de Paulo Câmara, governador de Pernambuco

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De acordo com um levantamento divulgado em 08 de junho pelo Ministério da Saúde, entre os anos de 2011 e 2015 foram registrados quase 78 mil estupros no Brasil. Só em 2016 Pernambuco já conta com mais números de estupros noticiados às autoridades competentes do que em todo o período de 2015 (são mil casos registrados apenas nesse ano). Segundo a Secretaria de Defesa Social do Estado o aumento foi de 5,3%. Necessário esclarecer que os dados fazem referência apenas aos crimes reportados pelas vítimas, ou seja, na realidade fática contamos com mais casos do que os expostos pelas autoridades.

Esses números tornaram-se ainda mais aterrorizantes nos últimos dias, quando a mídia passou a fazer a cobertura dos crimes sexuais cometidos por um estuprador em Recife (PE), que sequestra mulheres, as leva para lugares ermos e, após praticar a violência, as libera. Contudo, o temor de ser a próxima vítima é a rotina de todas as mulheres que, independentemente da classe social, sofrem, ainda, com a violência institucional da Polícia e o julgamento machista da sociedade brasileira, a qual, preferindo culpar a vítima e responsabiliza-la pela manutenção da sua segurança e da sua dignidade sexual, dignidade esta que deveria ser (porque é) intrínseca a qualquer pessoa, deixa de exercer políticas que priorizem a igualdade de gênero a fim de provocar alguma real mudança na histórica violência sofrida por todas as mulheres e que é relacionada as estruturas de poder patriarcais que fundam o nosso Estado.

A Administração Pública, e com ela todas e todos aqueles que trabalham para a manutenção da máquina pública, possuem a obrigação de trabalharem com ética, compromisso e livre de qualquer forma de discriminação de gênero, de cor e de orientação sexual, simplesmente porque são guiados pela Constituição Federal de 1988 que, em seu artigo 3º, constitui como objetivo fundamental da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, bem como a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Daí porque provoca repúdio a declaração do hoje Governador de Pernambuco, Senhor Paulo Câmara que, em meio ao contexto do golpe contra as instituições democráticas do país, deixa claro seu completo desrespeito com os compromissos da administração pública e com a manutenção do Estado Democrático de Direito, ao promover o aprofundamento da desigualdade de gênero, da discriminação e coisificação da mulher e, principalmente, da responsabilização e culpabilização da vítima.

Ao Senhor Paulo Câmara deixamos um recado: a sua preocupação deveria ser com o aprimoramento de sua gestão a fim de efetivar a segurança pública para todas as cidadãs e todos os cidadãos de Pernambuco e não a de responsabilizar as mulheres estupradas e agredidas em meio ao descaso do seu governo que, sem dialogar com os movimentos sociais e sem ouvir as exigências das ruas, assiste de braços cruzados o aumento do índice de estupros em todo o Estado.

A culpa NUNCA é da vítima.

Marcha Mundial das Mulheres Pernambuco

#alcoolnaoestupra #estupradoresestupram #ÉpelaVidadasMulheres #ForaTemer

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