Unilab: por uma integração contra a cultura do estupro!

O Núcleo Feminista Dandara dos Palmares, da Marcha Mundial das Mulheres do Ceará, denuncia em nota o caso de estupro envolvendo estudantes da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), ocorrido no último dia 18 de junho. Esse é o terceiro caso registrado na comunidade acadêmica, localizada na cidade de Redenção-CE, e o primeiro que resultou em inquérito policial. As estudantes denunciam ainda a tentativa de intimidação que estão sofrendo, ao serem acusadas de racismo e xenofobia, já que parte dos estudantes denunciados são de origem estrangeira. Confira ainda, o vídeo da estudante Rita Alencar (MMM-CE), durante a assembleia realizada na universidade no dia 24, que tratou da cultura do estupro. 

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NOTA DO NÚCLEO DANDARA DOS PALMARES SOBRE A VIOLÊNCIA SEXISTA NA UNILAB E A REVERBERAÇÃO DE UM DISCURSO RACISTA E XENOFÓBICO NA COMUNIDADE ACADÊMICA E DE REDENÇÃO

O núcleo Feminista Dandara dos Palmares expõe aqui a sua extrema indignação para com a criminalização feita por alguns/algumas docentes, discentes e técnicos administrativo aos movimentos de mulheres, visto ontem (24), na assembleia, que aconteceu na Unilab, e debateu a cultura do estupro.

Decidimos nos somar à luta pela justiça cabível no caso de estupro do qual tanto se fala na Unilab, por haver dentro nós uma extrema sensação de insatisfação e medo. Todos os dias dentro dessa universidade passamos por assédios dos mais diversos tipos, e isso não é exclusividade nossa. Todos os dias mulheres no mundo inteiro sofrem assédios em seus postos de trabalho, dentro de casa, nas escolas, nas universidades, nas ruas. Assobios, cantadas, indiretas, constrangimentos públicos, perseguições, violências psicológicas, morais e físicas, fazem parte do cotidiano de todas nós, seja em nossas próprias vidas ou na das colegas, mães, irmãs e amigas ao nosso redor.

É visível a ainda contínua e escrota tentativa de nos silenciar e de abafar o caso de estupro envolvendo estudantes da Unilab. Alguns fazem isso na tentativa de nos criminalizar, e, para isso, nos colocam como racistas e xenófobas. Mais uma vez, queremos deixar nítido, que repudiamos qualquer atos de racismo, xenofobia, LGBTfobia, machismo e qualquer tipo de opressão e violência.

Quando falamos de cultura do estupro, não é sobre cultura local de um lugar, de um grupo, de uma etnia. Esse termo foi usado pela primeira vez por feministas norte americanas ainda na década de 80 como forma de representar a cultura hegemônica (implícita a todos os países) que beneficia e apoia atos e comportamentos disseminados nas sociedades que levam à pratica do estupro e ao apagamento das consequências desse. Vejam, numa sociedade como o Brasil, em pleno séc XXI uma jovem estuprada por 30 caras foi verdadeiramente hostilizada e para muitos, os estupradores tornaram-se quase que heróis. É disso que falamos ao falar de cultura do estupro.

Na assembleia de ontem, apresentamos a nossa forma de militância no feminismo. Somos irreverentes, gostamos de cantar e dançar. Nossas palavras de ordem, são palavras que ecoam e continuarão ecoando no Brasil e no mundo. Machistas, racistas, facistas, homofóbicos, lesbofóbicos, transfóbicos não passarão por nossas vidas impunes, nossa obrigação é lutar por um mundo mais justo e solidário.

Não somos inimigas de nenhuma mulher e não aceitaremos que nossa luta seja confundida e apagada. Não achamos que as estudantes internacionais são submissas, senão, como mesmo um cartaz feito por estas dizia “não teriam atravessado um oceano inteiro” para estar aqui e mudar suas vidas. O que nossa militante disse na assembleia, e com a qual concordamos, é que essa é a primeira vez que vemos uma menina rompendo com a lógica do silêncio, tão praticada por aqui, e expondo sua vida e suas dores para que nenhum estuprador saia em pune.

Nossas acusações de cumplicidade vão para aqueles e aquelas que acham que com o discurso do medo e do ódio nos calarão, aqueles que pedem que abramos os olhos e ouvidos, mas nos mandam calar a boca. Vai também para quem acha que a Unilab é uma ilha de integração deslocada da realidade do Brasil, livre de opressões e problemas sociais. As mazelas de nossa sociedade se refletem aqui diariamente, os racistas bradam por aqui, os estupradores andam livremente e as/os oprimidas/os se escondem para não serem apedrejadas/os.

Por fim, pedimos a toda comunidade acadêmica que destinem seus esforços em acabar com este apartheid que tentam nos empurrar. Não escondamos o racismo, o machismo, a xenofobia e os preconceitos de baixo do tapete da vergonha, uma luta não apaga a outra nem uma sobrepõe a outra. Precisamos na verdade é nos dar as mãos e resolver nossos problemas com serenidade e justiça. Nos colocamos a disposição para lutar pela construção de uma Unilab cada vez mais solidária, internacionalista e igualitária.

Precisamos sim falar sobre estupro! Precisamos mudar nossas mentes! Precisamos nos olhar nos olhos e entender que somos parte de um todo muito maior que essa instituição, estamos falando de mudar o mundo para mudar a vida das mulheres e de mudar a vida das mulheres para mudar o mundo!

*Núcleo Feminista Dandara dos Palmares/Marcha Mundial das Mulheres do Ceará

‪Confira o vídeo: “A integração que defendemos não é machista, não é violenta, não é opressora!”

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