Viver sem Temer: em tempos de retrocesso, o interior do RN fortalece o feminismo

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*Por Camila Paula

Após o afastamento da Presidenta eleita Dilma Rousseff, o governo ilegítimo de Temer atenta todos os dias contra os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, mulheres, negros e negras, LGBTs e povos tradicionais. Dentro do pacote de retrocessos trazidos pelo golpista estão o fim do Ministério de Mulheres, De Igualdade Racial e Direitos Humanos; Ministério do Desenvolvimento Agrário; fim do Ministério de Cultura; sucateamento do INCRA; reforma na previdência que prejudica a classe trabalhadora; redução e paralização de programas sociais como Minha casa, minha vida; ameaça ao Sistema Único de Saúde; um estuprador assumido “dando ideias” para a educação do país… E a lista de maldades do vice vigarista e sua ‘turma’ só aumenta.

Nos últimos dias, o caso de estupro de uma adolescente de 16 anos por 33 homens, filhos sãos do patriarcado, teve grande repercussão nas redes sociais, impactou e alertou sobre a cultura do estupro alimentada pela mercantilização do corpo e da vida das mulheres, pornografias, músicas e piadas que alimentam a relação de poder que os homens exercem na sociedade. A cultura do estupro, com certeza, se fortalece com o avanço do conservadorismo dentro de um governo golpe que se mostrou, de cara, machista.

Em meio a esta conjuntura, entre 31 de maio e 1 de junho, no Encontro das Trabalhadoras Rurais do Seridó, mais de 40 mulheres das comunidades rurais do Seridó estiveram reunidas em Currais Novos para uma formação feminista. Durante dois dias discutindo auto-organização e a luta contra os retrocessos e por mais direitos, as mulheres rurais em conjunto com outras mulheres da região formaram o comitê da Marcha Mundial das Mulheres do Seridó: “Se outras mulheres, assim como nós, estão lutando por sua independência, contra a violência e contra esse governo golpista, nós também podemos. Precisamos ir pras ruas!” diz Maria Ivanilda da comunidade de Lagoa Nova.

Dona Terezinha, de Currais Novos, avalia: “O bom desses encontros é a gente trocar ideia pra saber levar informação pras nossas comunidades. O povo pobre é quem alimenta a nação! Não devemos e não vamos baixar a cabeça pra Temer. Nós somos mulheres guerreiras”. E é com esse entusiasmo que mais e mais mulheres são contagiadas para enfrentar todo o machismo piorado no governo golpista.

Na mesma semana, as mulheres de Mossoró realizaram uma plenária geral – Por uma vida sem Temer –  para discutir sobre a cultura do estupro e a conjuntura nacional. Debates sobre estupro e conservadorismo nas escolas, mais encontros da batucada feminista, intervenções de rua e fortalecer a Frente Brasil Popular foram os encaminhamentos que saíram da construção coletiva das mulheres entendendo que, em tempos de retrocessos, fortalecer o feminismo é a resposta que apontará as saídas por uma sociedade onde “todas sejamos livres”.

*Camila Paula é militante da Marcha Mundial das Mulheres no Rio Grande do Norte

Fotos: Wigna Ribeiro

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