Não podemos deixar o luto parar a luta

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*Por Helena Rossi e Dandara Rosa

Nos desculpe pela demora. Mas estávamos muito abaladas para conseguir escrever. Ainda estamos, mas não podemos deixar o luto parar a luta.
Nessa semana o estupro ocorrido na Zona Oeste chocou o Brasil, o mundo e abalou profundamente mulheres.
Após o ocorrido vimos uma rede enorme de solidariedade com a vítima, mas em contrapartida uma enxurrada de julgamentos, culpabilização e relativização da violência sofrida.

Comentários do tipo “quem mandou ela estar na favela”, “quem anda com porco farelo come”, “andar com bandidos dá nisso”, “eles são monstros, doentes”, além de extremamente preconceituosa com moradores da favela, supõe que existem classes econômicas de pessoas que praticam violência contra mulher e existem mulheres que se expõe a isso.
A sociedade tente apontar culpados, sendo muito mais fácil e cômodo julgar a menina ou justificando os agressores como montros doentes – individualizando a questão – do que assumirmos que o machismo a estrupou e estrupara outras todos os dias. Homens abusam de mulheres! Homens pobres ou ricos, negros ou brancos, abusam de mulheres doces, recatadas e do lar e abusam igualmente mulhres trabalhadoras, da pista, e do bar.

A cultura do estupro presente na nossa estrutura social torna vítima 1 mulher a cada 11 min no país.

Na cidade do Rio de Janeiro, 91% dos casos acontecem na Zona Norte e Oeste -grande parte do subúrbio carioca-, tendo a Zona Oeste mais de 57% dos casos de estupro registrados.

Precisamos falar sobre opressão de gênero, sobre a desumanização das mulheres que permite que seja socialmente aceitável a violação dos nossos direitos básicos: direito à dignidade, ao corpo, direito à vida!

O machismo estupra, o machismo mata psicologicamente e fisicamente.

E quem são os culpados pela barbárie recente na Zona Oeste? 33 homens? Pois digo que não! Cada homem que é machista, que é misógino, que faz e apóia discursos de ódio e objetificação da mulher, cada um que não nos enxerga como gente e cada um que relativiza o estupro e dá força para agressor de mulher, cada um de vocês tem o sangue de centenas de mulheres nas mãos! Já passou da hora da sociedade admitir que a violência contra a mulher é criada e aceita por essa sociedade que hoje se diz chocada, mas que perpetua o machismo e a cultura do estupro todos os dias.
Não mexeu com uma! Mexeu com todas e a mulherada tá forte para destruir o patriarcado!

*Helena Rossi é militante da Marcha Mundial das Mulheres no Rio de Janeiro e Dandara Rosaé militante do Coletivo de Mulheres Feministas do Subúrbio

Comments

  1. Magnólia campos says:

    Infelizmente ,vivemos em um país machista,aonde algumas mulheres são corrompidas a pensar como os homens. Temos que lutar contra essa sociedade machista e romper a violência contra a mulher seja ela de qualquer especie.

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