O golpismo e a luta das mulheres contra a política patriarcal

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*Por Julia Ferry

O cenário de ontem representou, sem dúvida, uma mancha na história da democracia do país. Um processo de impeachment conduzido de um modo totalmente oportunista por homens como Michel Temer e Eduardo Cunha, sem critérios legais, demonstra o golpe político que estamos vivenciando.

Um congresso liderado por homens reacionários representando seus interesses de classe, profanando discursos absurdos com teor antidemocrático, recheados de hipocrisia em nome de um Deus. Discursos fascistas e despolitizados: o que tem a ver a família dos deputados com o debate público?

Por outro lado, não posso deixar de falar das deputadas Jandira, Luiziane, Benedita, Margarida, que nos representaram muito! Rodeadas aos gritos, interrompidas constantemente pelas ofensivas daqueles homens, essas mulheres seguiram firmes defendendo a legitimidade popular.

Lembrar a cena dessas mulheres discursando em meio a todos aqueles homenzinhos odiosos e ressentidos, é devastador. Quantas de nós não passamos por isso? Quantas vezes não fomos silenciadas por homens que berram e utilizam do poder que lhes é conferido pelo patriarcado para nos deslegitimar?

Se o campo político se coloca como mais uma das bases pelas quais o patriarcado se consolida, torna-se para nós, mais do que necessário, despatriarcalizar a política. Isso se demonstra tão urgente, se pensarmos na falta de representatividade que temos nos espaços públicos, nos cargos de poder, que historicamente nos foram negados. Esse dado se demonstra, quando somos a maioria da população brasileira, mas representamos apenas 9% do congresso – sendo que esse número é ainda menor se contarmos as mulheres negras, as mulheres que defendam um projeto progressista.

Não podemos esquecer que fomos nós mulheres que iniciamos a ofensiva contra Eduardo Cunha. Quando este sujeito pronunciou que para legalizar o aborto teríamos que ”passar por cima do seu cadáver”, saímos nas ruas, lutando pela vida das mulheres, lutando pelos nossos direitos sexuais e reprodutivos.

Se fomos nós que iniciamos, temos reais condições e força para derrubá-lo. Estaremos novamente nas ruas, na luta pela democracia, contra o corrupto Eduardo Cunha. Não daremos paz para esse homem que representa o campo machista e conservador que queremos destruir!

Em meio a todas essas ofensivas e manobras golpistas, fica difícil para nós resistir. Mas, sabemos que lutar contra as injustiças, lutar por uma agenda popular, é escolher estar ao lado dos oprimidos e oprimidas na história. É então disputar uma correlação de forças que sempre se mostra desigual e dura para o nosso lado.

A história mostra que não é a primeira nem a última derrota que sofremos. Mas também mostra que em momentos assim, não só resistimos, como atacamos, na luta, junto com o povo. Nesse momento, temos uma base forte e organizada que está na disputa das ruas. Temos condições de construir alternativas que visem transformar o sistema político do país, para que jamais fiquemos refém desses corruptos e golpistas novamente. Nas ruas seguiremos na luta para garantir e ampliar a democracia!

*Julia Ferry é militante da Marcha Mundial das Mulheres em São Paulo.

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