Práticas feministas que transformam a vida (e a política)

bh-mmm-8marco

*Por Ingrid Figueirêdo

Ser dirigente mulher e feminista não é fácil dentro da política, construída em bases patriarcais. Quando dizemos que queremos mais mulheres nos espaços, não estamos apenas reivindicando a representatividade, mas também – e principalmente – a transformação da construção política através da perspectiva feminista.

Em tempos em que o feminismo ganha alcance e, simultaneamente, o capitalismo se reconfigura de modo a se apropriar da luta das mulheres, é essencial ter um olhar mais atento às nossas práticas e até à construção política que fazemos no dia-a-dia.

Se buscamos uma sociedade igualitária, se torna fundamental, para nós socialistas, aprofundarmos nossas reflexões acerca do mundo que queremos construir e sob quais bases o fazemos.

Digo isso porque uma das maiores contradições e desafios para militantes feministas é fazer política dentro do sistema patriarcal, em especial quando temos que lidar com ou dentro de organizações mistas. Temos outras práticas, mais solidárias, outra visão, mais humanizada, além de outras bases materiais, mais complexas, que guiam nossa construção enquanto agentes políticas – e isso tudo conflita com o que nos cerca diariamente.

É impossível haver emancipação coletiva, sem emancipação individual. Ao falarmos de feminismo, uma das nossas principais preocupações é evidenciar que o pessoal também é político e que o espaço público não está descolado do privado – algo que a esquerda parece ter muita dificuldade de assimilar.

Para nós, não é natural nos aliarmos pragmaticamente a quem nos violenta diariamente, mesmo que essa violência não seja explícita. Não é natural alimentarmos disputas entre nós sob a lógica da criação de um inimigo a se liquidar (lógica da guerra) – apesar do patriarcado estimular a competição entre as mulheres. Não é natural quando as mulheres saem dos espaços de militância; algo sintomático acontece em nossos cotidianos que nos empurra pra longe. Esse “algo” tem nome: machismo.

Para aqueles e aquelas acostumados ao modo patriarcal de se fazer política, nossas ações parecerão confusas, nossas opiniões radicais e nossa construção baseada no emocional. Para nós, trata-se apenas de botar em prática a dialética entre indivíduo e coletivo.

Dito isso, podem começar a se acostumar com a ideia: a revolução será feminista e antirracista ou não será.

*Ingrid Figueirêdo é militante da Marcha Mundial das Mulheres no Rio de Janeiro

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

%d bloggers like this: