O feminismo para vencer a violência

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Hoje é 25 de novembro, Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres. Nós, da Marcha Mundial, fazemos desta a nossa luta diária, cotidiana e coletiva, porque queremos uma vida sem violência para todas as mulheres. Neste ano, a voz é de todas as mulheres, mas principalmente daquelas que transformaram a dor em luta e superaram a violência através do feminismo. O espaço do blog está aberto para todas aquelas que quiserem contar sua história. Este relato é da Tatiana Muniz, da Marcha Mundial das Mulheres do Rio Grande do Norte e da Rede Xique Xique. 

***

Nasci em Guamaré. Minha mãe me entregou pra uma família de Macau quando eu tinha 4 anos. A lembrança que tenho da infância é que sofria muito com os pais adotivos. Eu era criada como uma empregada na pesca, junto ao pai; nos afazeres domésticos, com a mãe, e vivia trancada dentro de casa. Meu pai adotivo me colocou pra fora de casa aos 14 anos porque me viu namorando na praça. Eu achava que se me casasse ia ter liberdade e fui morar com o rapaz de 17 anos que era meu namorado na casa de sua mãe. Depois que tivemos a primeira filha, fomos morar sozinhos em Porto do Mangue. Foi aí que começou a violência física. Tive mais duas filhas com ele. Mas sempre que bebia, queria me bater. Certo dia, meia-noite, na praia, ele me perseguiu, me deixou nua e me espancou. Na briga, eu consegui cravar uma faca na perna dele e fugir. Ou não estaria viva pra contar. Peguei minhas três crianças e fui, com uma mão na frente e a outra atrás, pra cidade de Areia Branca. Lá eu adotei outro nome, com medo dele me encontrar, e consegui um emprego. Em 1995, vim pra Tibau e comecei a trabalhar na pesca que era o que eu sabia fazer desde pequena. Fazia rede e covo pra pegar lagosta com meu pai. Em 1999, junto com outras mulheres, fundamos a cooperativa de beneficiamento do pescado. O trabalho coletivo foi me fortalecendo. Aí eu conheci a Marcha em 2009, e em 2010 participei da 3ª Ação em São Paulo. Conheci outra vida, outras mulheres que passaram pelo mesmo problema que eu tinha passado. E foi nesse movimento que fui me reconhecendo, assumindo minha identidade, fui perdendo o medo e ganhando autoestima. Hoje eu uso o meu nome: Tatiana. A Marcha Mundial das Mulheres fez uma mudança radical na minha vida.

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SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

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