A importância das mulheres ocuparem os espaços de comunicação: por uma comunicação feminista e popular

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* Por Dalila Santos e Emille Cordeiro

Os meios de comunicação no Brasil são comandados por grupos de famílias, ligados a cargos políticos. Todos são homens, burgueses e brancos. Apesar de serem uma concessão pública, e ter o dever de levar educação e cidadania à população, os canais de comunicação trazem a representação de uma minoria que não reflete a realidade da população brasileira, em especial as mulheres.

Nós, mulheres, não estamos no comando dos veículos de comunicação e não temos espaço de destaque nestas ferramentas. Algumas são apresentadoras de telejornais, mas não conseguem chegar a chefe de redação ou ser editora do caderno de política e economia de jornais impressos e revistas. Sabemos que isso é fruto do sistema patriarcal, que divide e hierarquiza, excluindo as mulheres dos setores que regem a nossa sociedade. Além disso, as pautas referentes às mulheres quase nunca são abordadas pelos veículos de comunicação. E quando são pautadas, muitas vezes só reforça a imagem da mulher naturalizada com a função do espaço privado e de reprodução do viver.

Por isso é de suma importância que as mulheres ocupem os espaços da comunicação, para que possam levar as demandas da maioria da sociedade para os espaços públicos. Queremos mais mulheres no poder, das chefias dos veículos de comunicação ao congresso nacional, via Constituinte Exclusiva e Soberana como defendia Florestan Fernandes á época da assembléia constituinte de 88.

Mas não nos basta ocupar espaço nas ferramentas de comunicação já existentes, queremos mais! Queremos instrumentos de comunicação que estejam a serviços das nossas mulheres trabalhadoras, que retratem a nossa realidade, que paute as nossas demandas. Queremos construir uma comunicação feminista e popular como a experiência do Jornal Brasil de Fato, com as matérias nacionais de divulgação virtual e as tiragens de tabloides estaduais, e a irreverência das redes sociais que tem se tornado uma ferramenta aliada para a disseminação de reflexões e tornar pública as ações das mulheres pelo Brasil.

Para isso é fundamental que nós, mulheres, sejamos empoderadas sobre o uso da escrita e das tecnologias de comunicação. Precisamos reforçar que a comunicação é um direito de toda cidadã e um dos pilares de uma sociedade democrática. E essa conquista só será possível entrelaçada com a democratização dos meios de comunicação, tirando o monopólio dos grupos de comunicação das mãos das famílias que hoje o concentram.

Precisamos fazer ecoar a voz das mulheres para que possamos denunciar a sociedade patriarcal que nos oprime diariamente e anunciar uma outra sociedade que almejamos construir de mãos dadas.

* Dalila Santos e Emille Cordeiro são militantes da Marcha Mundial das Mulheres do Sertão, Pernambuco.

Comments

  1. Lamentavelmente quando temos uma “sociedade patriarcal” e políticos atacando a laicidade aumenta a discriminação como vemos nas pesquisas abaixo:
    http://saudepublicada.sul21.com.br/2015/08/31/religiao-e-laicidade-discriminacao-e-violencia/

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