Como o feminismo da MMM transforma nossas vidas [#03 – Giovanna Langone]

Por: Giovanna Langone*

Há alguns meses atrás, fui diagnosticada com depressão. Essa sombra não me deixava enxergar nada além, nem aquém de mim. Mim também não existia. Às vezes mim demais. Luz não passava. Se luz batia, luz não voltava. Eu estava passando por um breu, escuro e molhado, mas no fundo sabia que ir fundo podia significar um salto enorme.

É o que está acontecendo. O buraco não deixou de existir da noite pro dia, ele ainda existe. O que mudou foi que agora eu o enxergo de fora pra dentro, e não de dentro pra fora. E vou chamar o que me fez pular alto e longe, de mola lilás.

4ª Ação Internacional da MMM no RJ (30/08/15).

4ª Ação Internacional da MMM no RJ (30/08/15).

Na sexta-feira, as mulheres da Marcha Mundial das Mulheres me convidaram para participar da oficina de comunicadoras da Ação Internacional, que construímos nesse fim de semana. A Ação se deu principalmente num espaço muito perto da minha casa, mas naquele dia eu não conseguia sair de casa.

Tínhamos marcado às 16 horas lá, e eu tava no banho pensando sobre a vida, quando me deu um acesso de choro. Já fazia um bocado que esse tipo de coisa não acontecia, assim do nada. Eu saí do banho e passei um tempo sentada atrás da porta do quarto, nesse breu, molhado de lágrima, num desespero contido que parecia que não ia passar nunca. Tentei ligar pra todos os meus amigos e ironicamente, a pessoa que mais me ajudou foi uma mulher, que segundo a competição feminina, eu teria “porque” odiar.

Respirei fundo e lembrei que tinha um compromisso comigo e com essas mulheres, consegui depois de algumas horas me vestir e sair. Quando cheguei lá, meu coração ainda tava molinho, molinho, que nem agora. Eu sentei e me abri pra minha companheira de luta, de festa, de amor, que tem me aproximado politicamente do que eu espero e acredito (Thais). Todas me viram chorar, uma baiana linda acabou ouvindo minha história, e eu recebi o melhor abraço do universo. Ou melhor, da universalidade.

4ª Ação da MMM no RJ (30/08/15).

4ª Ação da MMM no RJ (30/08/15).

Abraço que durou o fim de semana inteiro e me fez entender que ali estava minha mola. O feminismo tem salvado minha vida, assim como a de todas aquelas mulheres. Entender a solidariedade como algo que torna nossa luta comum, mas não igual. E que socialmente, o que eu passo e sofro por culpa do patriarcado é também o que me faz não sucumbir, quando enxergo que outras também estão comigo lutando contra ele.

Imaginar que dois meses atrás me enxergar como uma mulher era quase impossível. Que todos a minha volta me chamavam de louca e descompensada. E ninguém acreditaria que outras mulheres me trariam de volta à força. Pois digo, sou, e grito: MULHER.

Obrigada a todes que me fizeram enxergar que eu poderia ser livre. E que eu ajude mais mulheres a se libertarem também.

A nossa força é reviravolta, a nossa força é cirandeira!

* Giovanna Langone é militante da Marcha Mundial das Mulheres no Rio de Janeiro.

Este texto faz parte da série temática “De dentro pra fora, de fora pra dentro: como o feminismo da MMM transforma nossas vidas”. Inspire-se você também e envie seu relato para: comunicadorasMMM@riseup.net 😉

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