As mulheres que amavam as mulheres

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* Por Fabiana Oliveira

O Perseu Abramo, sistematizando os padrões de manipulação da Grande Imprensa, utilizou-se do termo “silêncio militante” para falar do Padrão da Ocultação. Ele diz o seguinte: “Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento, e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade”. Desde então, palavras e silêncios pesam em igual medida, politicamente, naquilo que vejo. Recentemente, em junho, após a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos EUA, meu facebook ficou colorido. Foi bonito.

Essa é a semana da visibilidade lésbica. Vi pouco ou nada sobre na rede social. Isso não é omissão ou desconhecimento. É militância. Embaixo do guarda-chuvas da diversidade, cabem todos. As lésbicas não? Porque uma foto colorida diz que você é pró-casamente gay. Uma foto de apoio à essa semana, diz que você é mais que isso: diz que você é “sapatão”, “fancha”, “mulher macho”, lésbica. Por que falar da sexualidade das mulheres lésbicas? As mulheres têm sua sexualidade castrada desde a infância. Conheço muitas que não conhecem o próprio corpo. Qualquer experiência sexual esteve e está relacionada à servidão ao prazer masculino.

Uma lésbica é uma aberração social. Sua imagem, quando não fetichizada, está atrelada ao pior do esteriótipo masculino. “Ela quer ser macho”, é grosseira, suja, mal comida, mal amada, não tem referência masculina. A ideia de que uma mulher pode sim amar a outra soa absurda. Afinal, quem ama uma mulher? Os homens que as violentam, subjugam, objetificam, agridem, menosprezam, que não são. Li uma vez que dizer que um homem é heterossexual significa tão somente dizer que ele só se relaciona sexualmente com mulheres, pois toda a afetividade e respeito são mérito de outros homens. Nunca mais esqueci, mas os homens aqui só servem como elemento didático.

Ser lésbica não tem nada a ver com os homens. Mulheres lésbicas são aquelas que amam as mulheres. Ser lésbica é desafiar cotidianamente o controle sobre os corpos das mulheres. Ser lésbica é negar a lógica reprodutiva do capitalismo. Ser lésbica é um ato político. E todo o silêncio de vocês também!

* Fabiana Oliveira é militante da Marcha Mundial das Mulheres em Campinas

Comments

  1. Gracias pelas sucintas, fortes e coerentes palavras!!!

  2. Texto maravilhoso!!!

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