Mulheres contra o Feminicídio: Rosilene Rio, morta pelo machismo!

*por Emille Cordeiro

Neste 30 de abril de 2015 Rosilene Ramos do Rio, enfermeira da residência multiprofissional em urgência e emergência no hospital universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF – foi assassinada a facadas pelo ex-companheiro na cantina da UNIVASF. Mais um femicídio no estado do Pernambuco – 5º estado em que mais se mata mulheres no Brasil, com uma taxa de 7,81 assassinatos a cada 100mil mulheres!¹

Entre as décadas de 1980 e 2010 houve um aumento de 217,6% nos casos registrados de femicídio no Brasil². Não podemos permitir que esses dados sejam simplesmente estatísticas de uma crueldade. Os números são uma expressão da divisão existente entre homens e mulheres na sociedade patriarcal que legitima o femicídio.

Mas o que é femicídio?

Também chamado de feminicídio é a forma extrema de expressão da violência de gênero, violência que a mulher sofre pelo simples fato de ser mulher.
Pela Lei 13.104/2015, que inclui o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, sancionado pela presidenta Dilma Rousseff neste ultimo 9 de março, feminicídio é o homicídio contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, com relação intima de afeto ou parentesco entre a vítima e o agressor ou a prática de qualquer violência sexual a vítima (antes ou depois da morte) ou a mutilação ou desfiguração da vítima (antes ou depois da morte).

Porém a violência de gênero, para além da sua forma extrema de feminicídio, se expressa das mais diversas maneiras como a violência simbólica com a interiorização da cultura dominante patriarcal, violência institucional praticada pelos próprios aparelhos de proteção á mulher vítima de violência, violência psicológica quando palavras e atitudes ferem a autoestima da mulher, violência patrimonial quando lhe ameaçam destruir o que ela possui, violência sexual ao ameaçar violar o seu corpo e violência física expressa do puxão de cabelo aos hematomas que vão se tornando cada vez mais freqüentes.

O Brasil é o 7° país no mundo em que mais se cometem femicídio². Uma alta taxa de morte de mulheres invariavelmente está ligada a um alta taxa de aceitação social da violência á mulher – em todas as suas expressões – como algo normal. A grande maioria das mulheres assassinadas são vítimas de uma tragédia anunciada sendo precedida por ameaças e outros episódios de violência psicológica, moral e física.
Por uma rede social, após o femicídio, uma amiga denunciou que Rosilene Rio já sofria ameaças há pelo menos 10 meses e vinha pedindo ajuda e fugindo do seu agressor desde junho de 2014.

Segundo relatório divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicado estima-se que ocorreram, em média, 5.664 mortes de mulheres em decorrência de causas violentas por ano, 472 a cada mês, 15,52 a cada dia, ou uma a cada hora e meia. Sendo que mulheres jovens são as principais vítimas com 31% dos óbitos concentrando-se na faixa etária de 20 a 29 anos e 23% de 30 a 39 anos.¹

A violência contra a mulher tem cor e o femicídio mais ainda: das mulheres assassinadas no Brasil por serem mulheres 61% são negras, no nordeste o percentual é ainda mais chocante: 87% das mulheres assassinadas são negras.¹

Seguiremos em marcha até o fim do femicídio

Neste domingo, 03/05, fizemos uma ação conjunta da Marcha Mundial das Mulheres e o setor de mulheres do Levante Popular da Juventude com uma faixa de luto no portão principal da UNIVASF e lambe-lambe no centro de Petrolina com dados sobre o femicidio no país. E nesta quarta-feira, 06 de maio, (sétimo dia da morte de Rosilene ) vamos nomear o Restaurante Universitário em homenagem a Rosilene Rio.

Paralelo estamos em diálogo junto ao Diretório Central dos Estudantes da UNIVASF com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis para a nomeação oficial do Restaurante Universitário Rosilene Ramos do Rio e a construção de um programa de despatriarcalização da universidade.

Iniciamos a campanha pelas redes sociais #mulherescontraofemicídio e mulheres de todas as partes do país estão tirando fotos com a frase ‘Rosilene Rio, morta pelo machismo’. Não descansaremos enquanto nós continuamos a ser assassinadas por sermos mulheres dentro de uma sociedade que nos subjuga a cada segundo.

A tipificação do femicídio como qualificação do homicídio, assim como a lei Maria da Penha, é um grande avanço para a equidade de gênero, porém precisamos lutar para a efetiva aplicação da lei e a garantia do funcionamento adequado dos aparelhos de proteção a mulher vítima de violência. As delegacias da mulher, na maioria dos locais estão abertas apenas em horário comercial, sendo que 36% dos assassinatos de mulheres ocorreram aos finais de semana com os domingos concentrando 19% das mortes.¹ Precisamos garantir a efetivação das leis já conquistadas com tanto suor e sangue de nossas mulheres, necessitamos de mais mulheres dentro dos aparelhos de proteção á mulher e, principalmente, mais mulheres na política. Seguiremos em marcha até o fim da violência contra à mulher!

Rosilene Ramos do Rio, morta pelo machismo!
#mulherescontraofemicídio

*Emille Cordeiro é militante da Marcha Mundial de Mulheres – núcleo Sertão.

¹ Instituto de Pesquisa Econômica Aplicado disponível em:
http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/130925_sum_estudo_feminicidio_leilagarcia.pdf

² Mapa da Violência 2012: atualização homicídios de mulheres no Brasil. Disponível em:
http://www.mapadaviolencia.org.br/mapa2012_mulheres.php

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