Seguiremos em luta. Por Memória, Verdade e Justiça

Por: Núcleo ABC/SP da Marcha Mundial das Mulheres.

Nesse dia 1º de abril, algumas ruas da cidade de São Bernardo do Campo no ABC Paulista despertaram com nomes de lutadores e lutadoras do povo. Uma ação do núcleo ABC da Marcha Mundial das Mulheres em conjunto com a célula ABCDMRR do Levante Popular da Juventude relembrou àqueles (as) que lutaram pela democracia em nosso país a partir do golpe de 31 de março de 1964. Durante o período de 1964 a 1985, foram diversos crimes e atrocidades cometidos por agentes do Estado contra aqueles e aquelas que não aceitaram se calar diante das barbaridades e injustiças.

Torturadores, estupradores e assassinos dão nome à ruas, praças e escolas em todo o país. Mas ontem a Avenida 31 de Março amanheceu como Avenida Metalurgic@s, para recordar os anos 80, quando o povo brasileiro realizou uma imensa mobilização social, iniciada pelas greves operárias do ABC para acabar com a ditadura e restabelecer a democracia, com a campanha das Diretas Já.

Foto: Núcleo ABC da MMM.

Foto: Núcleo ABC da MMM.

A rua General Olimpio Mourão Filho tornou-se rua Helenira Resende, conhecida como “Preta”, presa na cidade de Ibiuna em 1969 enquanto participava como delegada do Congresso da UNE. Helenira está “desaparecida” desde a Guerrilha do Araguaia, em 1972.

Foto: Núcleo ABC da MMM.

Foto: Núcleo ABC da MMM.

Carlos Marighella, Devanir José de Carvalho, Vladmir Herzog, Soledad Barret e Maria Barcellos foram outros nomes lembrados durante a ação.

O relatório final produzido pela Comissão e divulgado em dezembro de 2014 foi importante passo para a reconstituição da memória e da verdade. Nele estão listados mais de 420 nomes entre mortos e desaparecidos políticos comprovadamente na ditadura, dos quais, 208 ainda não tiveram seus corpos localizados.

Prisões arbitrárias, torturas, estupros, assassinatos, ocultações de cadáveres promovidas sistematicamente enquanto políticas de Estado na ditadura militar. Essas ações contavam com o suporte de empresas privadas, através da Operação Bandeirante (OBAN), que eram beneficiadas pela ditadura.

As grandes empresas de comunicação também promoveram a ditadura para se beneficiar. Para receber um investimento externo até então proibido no Brasil, a Rede Globo se tornou o veículo oficial da ditadura, fato que a própria empresa reconheceu em agosto de 2013. O atual quadro da comunicação no Brasil, que privilegia seis famílias e seus interesses empresariais, ainda é herança da Ditadura Militar e o que vemos diante da cobertura midiática da atual crise política que vivemos, perpetua a Globo como veículo de comunicação GOLPISTA, que não está do lado do povo.

Foto: Núcleo ABC da MMM.

Foto: Núcleo ABC da MMM.

Mesmo assim, muitas estruturas da ditadura se mantiveram ativas e impediram que houvesse JUSTIÇA para punir os ditadores, torturadores e demais envolvidos. A principal responsável por essa proteção é a Lei da Anistia, assinada em 1979.

PELA DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA MILITAR E O FIM DO EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE NEGRA DA PERIFERIA CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL (PEC 171).

Foto: Núcleo ABC da MMM.

Foto: Núcleo ABC da MMM.

Sem a realização da justiça, com a punição dos responsáveis pelos crimes, não é possível impedir que as violações de direitos humanos sigam acontecendo atualmente, principalmente pelas Polícias Militares que extermina a juventude pobre e negra na periferia. Também não podemos permitir que um Estado que não garante direitos sociais básicos, encarcere nossa juventude. É o que pretende a PEC 171 (redução da maioridade) defendida pela bancada da bala no Congresso, ligada a setores militares, apoiadores da ditadura. Essa medida só agrava a situação da segurança pública, pois considera medidas punitivas melhores que medidas educativas. O índice de reincidência nas penitenciárias em torno de 70% demonstra a falência do regime prisional superlotado.

EM NOME DE TODOS OS LUTADORES E LUTADORAS DO POVO BRASILEIRO, VITIMAS DA DITADURA MILITAR, SEGUIREMOS EM LUTA. POR MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA.

Núcleo ABC/SP da Marcha Mundial das Mulheres.

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