Cadáveres de mulheres: quem se importa?

por Fernanda Willers*

Segundo o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), na última eleição, foi eleito Congresso mais conservador desde 1964 e a escolha para a Presidência da Câmara dos Deputados refletiu o cenário.

Eduardo Cunha foi eleito com ampla maioria dos votos, membro da bancada evangélica e conservadora, já prometeu barrar discussões e projetos que nos custam caro, como a descriminalização e legalização do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e regulamentação da mídia.

Eduardo Cunha, em entrevista para o Estadão, disse que aborto e regulação da mídia só serão votados passando por cima do seu cadáver. O deputado expressou toda a sua misoginia, seu machismo, arrogância e prepotência ao desprezar a estimativa de um cadáver feminino a cada dois dias em decorrência de aborto clandestino.

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Cerca de 1 milhão de abortos inseguros são realizados anualmente no Brasil, onde cerca de 250 mil resultam em complicações, o que resultaria em um gasto de, no mínimo, R$ 142 milhões ao governo em internações e procedimentos de curetagem. Esses números não podem ser desprezados, precisam ser problematizados na sua origem: a sociedade patriarcal e machista que reduz a mulher como um útero ambulante, que naturaliza o abandono masculino, que permite o desemprego a uma gestante, que trata a gravidez como punição, que pouco se preocupa com as condições emocionais de quem não quer gerar um filho.

IMG_20150210_120850Engana-se quem acredita que a proibição e a penalização do aborto inibe a sua prática, ao contrário, com a falta de diálogo, informação e prevenção o Estado agrava o problema que é de saúde pública.

Fechar os olhos e o debate é selar vários caixões de mulheres que desamparadas pelo Estado recorreram a clandestinidade para ter direitos que são seus: o direito ao próprio corpo, a sua escolha e a autonomia. A negação desses direitos gera uma violência enorme, onde as maiores vítimas são negras, da periferia e já socialmente discriminadas por setores que Eduardo Cunha representa.

É necessário barrar a ascensão do conservadorismo em todos os espaços para que possamos ter avançar e consolidar os direitos democráticos das mulheres.

Seguiremos em marcha até que o aborto seja legal e seguro!
Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

*Fernanda Willers é estudante e militante da Marcha Mundial das Mulheres do Rio Grande do Sul (MMM-RS).

Comments

  1. Gema Ester Fagundes says:

    Gostaria de saber quando e onde ocorrerá a marcha em 2015.

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SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

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