Mulheres capixabas em defesa de uma nova Constituinte

Vivemos em um estado que lidera as estatísticas nacionais de violência contra a mulher. Sentimos a cada dia o peso do machismo incidir sobre nós. A cada dia de trabalho, a cada aula, a cada saída na rua somos agredidas de diversas formas. Somos ameaçadas, assediadas, coagidas, humilhadas, estupradas, diminuídas, violentadas, desrespeitadas… assassinadas.

Muitas de nós são impedidas de estudar devido a necessidade de contribuição no trabalho doméstico. Outras, são impedidas por pais ou maridos. Outras tantas de nós que por insistência e ousadia conseguem ingressar na universidade e no mercado de trabalho, muitas vezes se vêem obrigadas a abandonar suas carreiras e estudos devido a ausência de creches e políticas públicas negadas pelo Estado.

Algumas de nós ousam entrar para política institucional, mas pouquíssimas conseguem o apoio e investimento necessário para que suas campanhas sejam vitoriosas. Como se não bastasse, diversas mulheres são utilizadas como “candidatas laranja” a fim de preencher a cota mínima de candidaturas femininas exigidas por lei aos partidos. O resultado disso é um congresso composto por 9% somente de mulheres, o que justifica a ausência de políticas públicas adequadas sendo criadas para nós.

O que temos é um congresso branco, masculino, heterossexual e a serviço das elites. Um congresso que não sente na pele o que é ser mulher, pobre, negra e lésbica em uma sociedade machista, patriarcal, racista e lesbofóbica. É esse congresso que legisla por nós! É esse congresso masculino que implementa leis como a Maria da Penha e “esquece” de pensar nas formas de efetivá-la e de amparar e acolher as mulheres em situação de risco. São esses poderosos os responsáveis pela morte de milhares de mulheres vítimas de abortos clandestinos, pois esquecem que o Estado é laico e não legalizam o aborto influenciados por princípios religiosos. São eles que impedem mães de trabalhar e estudar a partir do momento em que deixam de investir em creches o suficiente para todas as crianças.

O patriarcado é o principal responsável pela frágil participação feminina na política, já que atribui ao homem os papéis de agentes atuantes no espaço publico e restringe a mulher ao trabalho doméstico. A responsabilização do trabalho doméstico e cuidado com a família devem ser partilhados entre homens, mulheres e o Estado. A paridade de gênero é importante, mas não garante a efetiva representação das mulheres. Frente a essa realidade arcaica que insiste em nos isolar da vida pública, que nos coloca como propriedade dos homens e nos enxerga simplesmente como reprodutoras, nos organizamos para propor um outro modelo de sociedade. Lutamos pelo Feminismo Popular, que visa a libertação de todas as mulheres dessa sociedade machista e patriarcal.

Em junho e julho de 2013, saímos às ruas junto com milhares de jovens brasileiros na luta por melhores condições de vida e deixamos um recado claro as atuais instituições do país: elas não nos representam, queremos reformas profundas na sociedade! Ainda temos um sistema político que privilegia representações conservadoras, elitistas e antigas e ele nos contempla. Esse recorte pode ser feito também em relação a representação feminina, já que somos a maioria da população brasileira, mas em contrapartida somos minoria no congresso e no senado, que não representam as mulheres nem a classe trabalhadora. Políticas efetivas para as mulheres só serão alcançadas quando tivermos mulheres legislando por nós, mas precisamos que as mulheres que estejam no poder sejam mulheres que representem a classe trabalhadora.

Sabemos que essa luta é longa e que deve ser construída cotidianamente junto com nossas companheiras e com todas as mulheres que, ainda presas somente ao espaço doméstico, não visualizaram na luta política uma possibilidade de transformação da própria vida. Nesse momento, entendemos o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político como mais um passo na construção do nosso Feminismo Popular.

O Plebiscito Constituinte nos aponta o horizonte da paridade de gênero nas estruturas de poder. Essa representatividade é fundamental para garantir a efetivação de políticas públicas específicas que tanto carecemos, além de construir e legitimar uma cultura de participação feminina na política. Com um congresso composto por mulheres que entendem e sabem formular as políticas mais efetivas para o público feminino, será possível que mais mulheres se libertem da vivência exclusiva no espaço privado. Mostrando que “LUGAR DE MULHER É NA POLÍTICA SIM”, cada vez mais mulheres vão se empoderar e se inserir em sindicatos, partidos, movimentos sociais, coletivos, grêmios…

Sabemos que uma nova constituinte não vai solucionar de uma vez todos os nossos problemas, tampouco exterminar o machismo magicamente. Entendemos que uma nova sociedade será construída com luta social, com trabalho de base, formação e muita gente na rua. Mas entendemos que com a atual constituição, que por diversos mecanismos limita a nossa participação política enquanto mulheres, é impossível progredir democraticamente. Entendemos que o maior legado que podemos ter de uma nova constituinte é a possibilidade de união da luta por direitos com a luta pelo poder.

E é por esse poder, pelo empoderamento feminino e pela construção de uma sociedade feminista que convocamos todas as mulheres e homens a votarem SIM no Plebiscito Constituinte entre os dias 1 e 7 de setembro.

MUDAR A POLÍTICA PARA MUDAR A VIDA DAS MULHERES!

Assinam:
Marcha Mundial das Mulheres
Setor de Mulheres do Levante Popular da Juventude
Coletivo de Mulheres do Magistério

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SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

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