Nota da MMM sobre o veto ao vagão rosa e pelo fim da violência contra a mulher no transporte público

deixeasmulhereslivres

Ato realizado no metrô de São Paulo em julho deste ano.

Desde 2013, tem se tornado público o número de denúncias sobre assédio, abuso sexual e estupros nos ônibus e metrôs de São Paulo. No início deste ano, ganharam visibilidade na mídia notícias sobre este tipo de crime cometido contra as mulheres e meninas na cidade.

Estamos vivendo um momento de recrudescimento do conservadorismo e da misoginia em nossa sociedade, que tem como consequência o surgimento de novas formas de violências contra as mulheres, tais como as agressões registradas pelo próprio agressor, que divulga essas gravações na internet, incentivando outros a praticarem a violência e colocando, ainda mais, em risco suas vítimas. Tem-se como exemplo os diversos grupos e páginas de “encoxadores” existentes hoje no Facebook, nos quais circulam vídeos, fotos e relatos de agressões praticadas por esses criminosos no transporte público, tais como o grupo intitulado “Encoxadores e encoxatrizes de plantão”, removido somente em março deste ano do Facebook.

Tais casos foram divulgados amplamente pela mídia, enquanto diversos movimentos de mulheres se mobilizaram para protestar e propor políticas públicas de combate à violência no transporte. O legislativo de São Paulo respondeu a esta situação com o projeto do “vagão rosa”, uma política que segrega mulheres e homens e preserva o machismo no transporte público.

O Projeto de Lei (PL) nº 175/2013, aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo, obriga as empresas de transporte de trem e metrô a reservarem ao menos um vagão exclusivo para as mulheres em suas frotas, como forma de combater o assédio nos espaços do metrô e da CPTM. Entretanto, mais do que resolver o problema, essa medida, se aplicada, iria responsabilizar ainda mais as mulheres pela violência sofrida. Por essas e outras razões, os movimentos foram novamente às ruas exigir: VETA ALCKMIN!

O veto ao projeto do vagão rosa hoje representa uma vitória das mulheres, mas essa medida somente não basta. Em São Paulo, 58% dos usuários de transporte público são mulheres. O cotidiano do transporte público é de lotação e sufoco, além das denúncias de corrupção, que precisam ser apuradas e punidas.

No caso do Estado de São Paulo, particularmente, o governo Alckmin segue uma trajetória de mais de 20 anos de total ausência de políticas voltadas para as mulheres. Apesar da permanente reivindicação do movimento feminista, não existe sequer um organismo de políticas para as mulheres, tampouco políticas articuladas de prevenção e enfrentamento à violência sexista.

É urgente e necessário que os governos assumam uma politica educativa, preventiva e punitiva para a violência contra a mulher no transporte coletivo.

Dizemos basta de violência contra a mulher no transporte público e em todos os lugares!

Marcha Mundial das Mulheres

Comments

  1. Nossa organização é resposta para o fortalecimento das mulheres .

  2. Alice Najeeb says:

    1 vagão ridiculamente rosa para resolver ou diminuir o problema do assédio, isso só pode ser piada, somos maioria da população

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