Pelo fim da criminalização da luta social no Rio de Janeiro

Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, vimos a público denunciar a violência policial e as práticas repressivas e de exceção levadas a cabo pelas polícias, pelo Ministério Público (MP) e pela Justiça do estado do Rio de Janeiro. Estas práticas sempre estiveram presentes nas periferias do nosso país. Hoje, através de uma ação orquestrada entre os órgãos acima mencionados e a grande mídia, que monopoliza a produção da informação no Brasil, se reimprime uma lógica de repressão das lutas democráticas e criminalização dos movimentos sociais em diferentes estados.

Até pouco tempo corria secretamente uma investigação a coletivos e movimentos sociais com atuação no Rio de Janeiro, entre os quais a Marcha Mundial das Mulheres está incluída. Essas investigações ocorrem no bojo de um processo de criminalização da luta social, pela ação da Polícia e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que ataca o direito de manifestação e de opinião. As garantias democráticas a um processo justo são, reiteradamente, desrespeitadas e o direito de defesa é subjugado em prol do interesse de calar a luta social e limpar as ruas.

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Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, denunciamos todo o tipo de violência, seja aquela cometida pelos homens contra as mulheres nos espaços privados e públicos, seja aquela que é parte de situações de conflito. Denunciamos a ação repressora de agentes do Estado, que no curso de uma disputa política deflagrada em armas, promove a manipulação ideológica, a criminalização dos movimentos sociais e a restrição do direito de ir e vir, de expressão e de pensamento.

Sempre estivemos atentas à situação em que vivem nossas companheiras ao redor do mundo, quando são criminalizadas por lutar por melhores condições de vida para as mulheres ou quando vivem em países em conflito. Mas trabalhamos também para dar visibilidade à violência cotidiana que é parte da criminalização da pobreza e de quem luta contra ela, e do processo crescente de privatização e militarização das cidades.

Jamais nos calamos diante da violência no campo contra camponesas e camponeses em função do conflito de terras e da luta pela reforma agrária, nem tampouco contra o assassinato de indígenas, que se mostra sistemático em algumas regiões do país dominadas pelo agronegócio. Não passarão impunes os casos de mortes decorrentes de intervenção policial cometidos pelas forças armadas do estado contra a juventude negra, pobre e favelada.

Repudiamos o uso arbitrário da força como um instrumento para a promoção da segurança pública, o silêncio e a conivência dos organismos de controle da atividade policial com as violações de direitos humanos e o desrespeito a garantias democráticas fundamentais. Defendemos a desmilitarização como uma medida fundamental à construção de uma cultura de paz em um Estado de Direito Democrático.

Em conjunto com os movimentos sociais, seguiremos na luta por uma sociedade verdadeiramente democrática, livre e socialmente justa para todas e todos.

Lutar não é crime! Pelo direito à política e à privacidade! Chega de prisões arbitrárias!

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

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SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

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