Siempre revolucionária nunca muerta, nunca inútil: a vida política de Frida Kahlo [Parte 3]

[Especial Frida Kahlo – Parte 3]

Em memória a seu aniversário de vida (06 de julho) e de morte (13 de julho), divulgamos a terceira e última parte do texto sobre a vida política de Frida Kahlo.

* Por: Paulinha Cervelin Grassi*

As manifestações de Frida Kahlo a favor do comunismo em seu diário coincidem também com seu interesse em expressar o marxismo em suas pinturas. É em 1940, segundo Herrera, que Frida irá “ressaltar o conteúdo social na arte” [2]. Anos mais tarde, em 1951, fez uma espécie de autocrítica de suas pinturas: “Tengo mucha inquietud en el asunto de mi pintura. Sobre todo por transformarla para que sea algo útil al Movimiento revolucionario comunista […] la única razón real para vivir.” [3].

Em 1952, Frida, na tentativa de politizar suas pinturas do gênero naturaleza muerta, reconhece que: “Por primera vez, en mi vida la pintura mia trata de ayudar a la línea trazada por el partido. Realismo Revolucionario” [4]. Dois anos depois pinta uma das suas obras mais famosas, El marxismo dará salud a los enfermos, em que manifesta “la necessidade de confiar em un ideal político, em vista de La ineficacia de la medicina moderna” [5], como aponta Sarah M. Lovre.

Pintura "El marxismo dará salud a los enfermos", Frida Kahlo.

Pintura “El marxismo dará salud a los enfermos”, Frida Kahlo.

Ao analisar a avaliação de Frida em relação as suas pinturas, Drebes aponta que:

Mesmo que na sua obra nem sempre o conteúdo político, mais especificamente marxista, não estivesse tão explícito, ela pintava a sua dor e a dor de seu povo não na dimensão monumental, como o muralismo, mas em doses menores, homeopáticas e nem por isso menos intensas. [6]

Dias antes de falecer, Frida Kahlo, já tomada pela pneumonia que agravava ainda mais seu estado de saúde, participou de um ato contra a deposição, patrocinada pela CIA, do presidente esquerdista Jacob Àrben, da Guatemala. Na cadeira de rodas, a pintora carregava em suas mãos uma placa com o desenho da pomba e o escrito “Por La Paz”. Gritava também junto aos 10 mil mexicanas/os presentes: “Gringos asesinos, fuera!”. Sua última aparição pública em dia 2 de julho de 1954.

Última aparição pública de Frida Kahlo.

Última aparição pública de Frida Kahlo.

O envolvimento com Partido Comunista, a influência do marxismo em suas obras e a crítica ao modo de vida americano e europeu são apenas alguns dos aspectos da vida da artista que demonstram sua vida regada da dimensão política. Há uma infinidade de tantas outras questões que necessitam ser conhecidas e aprofundadas: seu passado de raízes indígenas e as inúmeras vezes que expressou sua ligação com seus antepassados, a cultura pré–colombiano e o povo mexicano; sua quebra no padrão burguês estético da época através de suas obras, seu corpo e o vestido tehuana, usado e assumido na grande parte da sua vida; suas pinturas do gênero naturaleza muerta transformadas em naturalezas vivas; sua ajuda às vítimas do nazismo e da guerra civil espanhola; sua caminhada docente ao acreditar numa educação baseada no conhecimento dos saberes das pessoas e na justiça social.

Seu potencial criativo é também relevado em sua participação no mundo político. Frida Kahlo expôs suas convicções políticas e quebras de padrões através de uma linguagem irônica e de uma estética de cores e formas presentes nas suas pinturas e no seu vestuário. Expressões de contestação marcadas pela subjetividade, irreverência e autenticidade.

O conjunto de todos esses aspectos, somado às suas outras manifestações, especialmente artísticas, tornaram Kahlo uma mulher e artista singular. Uma experiência de incômodo e ruptura frente aos modelos tradicionais de feminilidade e ao sistema econômico hegemônico. Que sua memória de inspiração e libertação a todas/os nós cesse as narrativas sobre sua vida construídas pelos interesses patriarcais–capitalistas. Por uma Frida Kahlo protagonista, criativa, política, autêntica e desobediente!

 * Paulinha Cervelin Grassi é formada em História, artesã e militante da Marcha Mundial das Mulheres do Rio Grande do Sul.

Leia a [Parte 1] do texto

Leia a [Parte 2] do texto

Referências

[1] Nota sobre o título. Por volta de 1950 escreve em seu diário: “Siempre revolucionário nunca muerto, nunca inútil” – KAHLO, 1995, p. 251.

[2] HERRERA, Hayden. Frida: a biografia. São Paulo: Globo, 2011, p. 415.

[3] KAHLO, Frida. El diário de Frida Kahlo: un autorretrato íntimo. Ciudad del México: la vaca independiente, 1995, p. 252.

[4] KAHLO, 1995, p. 256.

[5] KAHLO, 1995, Diário, p. 261.

[6] DREBES, Haidi. A expressão da espiritualidade na obra pictórica de Frida Kahlo no horizonte da teologia da cultura de Paul Tillich. São Leopoldo : Escola Superior de Teologia, 2005, p. 116.

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