Vermelhas

Por: Tica Moreno*

Cena do espetáculo Roza. Foto: Divulgação.

Cena do espetáculo Rózà. Foto: Divulgação.

A Rosa Luxerburgo é uma daquelas mulheres que nos inspira teórica e politicamente. Sua análise sobre o papel da militarização no capitalismo é referência para nossa elaboração de hoje. Ela sempre mandou bem nas polêmicas em que se meteu. Por exemplo, na sua reflexão-posição sobre a relação entre a vanguarda e a massa, quando afirmou que “a organização, os progressos da consciência e o combate não são fases particulares, separadas no tempo e de maneira mecânica… mas, ao contrário, aspectos diversos de um único e mesmo processo”.

rozaMas em Rózà – espetáculo que esteve em cartaz neste mês na Casa do Povo, em São Paulo, em curta temporada – o centro não é a teoria. É a experiência, os sentidos, a existência. Rózà movimenta o que de vez em quando fica quieto dentro da gente e não deveria…

A indignação com a burocracia e o conformismo androcêntrico, travestidos de objetividade e orientações sobre como se portar, na vida e na política. Com o ritmo frenético das cidades, a lógica violenta do capital, a falta de humanidade dos homens, a criminalização de quem luta. Sem dúvida um dos acertos desta peça é o barulho da guitarra, a encenação do que nos é comum: aquele momento em que, no caos, a gente consegue se encontrar com o que nós somos e o que queremos.

Cena do espetáculo Rózà. Foto: Divulgação.

Cena do espetáculo Rózà. Foto: Divulgação.

Em Rózà, sentimos sua defesa de que os e as revolucionárias não podiam abrir mão da sua vida, vemos o pessoal sendo político. E uma vez mais temos a comprovação de que as histórias que vão ficando pra História são aquelas escritas da forma que é legitimada e reconhecida no mundo público, no mundo dos homens. Michelle Perrot, no livro lindo “As mulheres ou os silêncios da história”, fala sobre como precisamos buscar em outros registros a memória da vida das mulheres, nos diários, nas cartas. Se estamos acostumadas a aprender sobre a Rosa em textos econômicos e políticos, participar do que as meninas montaram nos leva por outro caminho. Em Rózà, as cartas escritas no período em que ela ficou presa, nos conduzem e nos conectam a esta vida personificada em três rosas, cada uma com sua intensidade, cada uma com sua particularidade.

* Tica Moreno é militante da Marcha Mundial das Mulheres em São Paulo e integrante do Coletivo de Comunicadoras da MMM.

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