MMM em Moçambique realiza oficina de comunicação

Por Alessandra Ceregatti*

Cerca de 20 mulheres vindas de várias regiões de Moçambique participam na capital Maputo de oficina de formação em comunicação, iniciada no dia 13 de maio e que se estenderá até o dia 17. O programa da atividade começou com um debate sobre a construção da MMM como movimento que luta contra a causa de todas as formas de opressão contra a mulher, radicadas num sistema que é capitalista, patriarcal, racista e colonialista.

Em grupos, começamos a oficina compartilhamos como entendemos a comunicação, quais      seus   sentidos, como podemos utiliza-la de forma estratégica para avançar nossas lutas,  nossas  demandas. Fizemos também uma análise do contexto nacional em que se encontra  Moçambique  e como se manifesta a violência contra as mulheres, exercida por parte de seus  parceiros, de sua família, de ritos tradicionais patriarcais e do Estado. Frente a isso gritamos:  “somos mulheres e não mercadorias!” Não queremos ser ‘loboladas’ (lobolo é o dote que a familia de um homem dá à outra família em troca da filha mulher). Denunciamos práticas comuns como o levirato (em que a mulher viúva é obrigada a casar-se com o irmão do marido para que os bens fiquem com os homens) ou supostos ritos de purificação das mulheres, todos símbolos do que é o controle dos corpos e da vida das mulheres.

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No dia seguinte, analisamos coletivamente artigos de jornais, publicidades e anúncios de TV para verificarmos na prática como o patriarcado se impõe e se reproduz através dos meios de comunicação. Vimos como as mulheres são invisibilizadas em todos esses meios, como elas são tratadas de maneira ridícula ou criminosa quando se levantam em defesa de seus direitos ou de sua vida e como sua imagem é utilizada para vender produtos para o capital.

Depois de observarmos tudo isso, partimos para a prática concreta de desenvolver nossos próprios textos e nossa criatividade. Uma das lutas que as mulheres daqui estão liderando é o combate ao projeto que aumentará as regalias (=privilégios) dos deputados. O projeto encontra-se na mesa do presidente e neste dia 16, haverá mais uma marcha de protesto contra as regalias. Assim, dedicamos o dia de hoje a pensar como organizaremos a cobertura da marcha, mas também a produzir nossa comunicação visual e mensagens muito claras dizendo contra o quê estamos e a favor do quê estamos.

Mais de 20 cartazes foram produzidos para a marcha deste 16 de maio, com slogans como: “Regalias = violëncia contra a mulher” ou “Não somos criminosas, lutamos por nossos direitos” ou “Queremos mais önibus e menos dinheiro no bolso dos deputados!” Finalmente, uma grande faixa foi pintada com os dizeres: “Habitação, saúde, educação, combate à violência contra as mulheres: é para isto que são nossos impostos! “

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*Alessandra Ceregatti é do Coletivo de Comunicadoras da Marcha Mundial das Mulheres e militante da MMM de São Paulo.

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