Proteção às mulheres

*Por Iolanda Ide

Filha de um italiano e uma brasileira, Bruna Bovino, trabalhou, na Itália, numa casa de massagem até abril de 2001. Depois teve uma filha. Vítima de exploração da prostituição, resolveu denunciar, empenhou-se em mudar de vida, e, para sobreviver, abriu o centro de estética Arwen.

No dia 25 de fevereiro, Bruna Bovino, 29 anos, deveria depor em um processo de indução e favorecimento de prostituição contra um ex-chefe, proprietário de uma casa de massagem. O tribunal onde deveria depor situa-se em Mola di Bari, região da Puglia, na Itália. No dia 12 de dezembro de 2013, seu corpo foi encontrado, semicarbonizado sobre uma maca, em seu próprio Centro de Estética Arwen. Havia lesões no crânio. Suspeita-se que se trata de queima de arquivo.

A exploração da prostituição se faz acompanhada de muita violência. Quando seus agentes se sentem ameaçados, não têm escrúpulos em cometer os mais hediondos crimes como os que ocorreram em Bilbao, na Espanha, para onde foram traficadas muitas brasileiras.

Pouco antes da Copa da Alemanha, em 2006, a indústria da exploração da prostituição conseguiu mudar a legislação descriminalizando seus exploradores. O resultado foi um incremento da exploração sexual de meninas e da prostituição.  Em 2008, foi desbaratada uma ampla rede de exploração sexual de meninas, durante a Copa Africana das Nações. Dois anos depois, crianças e adolescentes foram aliciadas para servirem sexualmente a turistas, durante a Copa na África do Sul.

Em junho, está prevista a chegada, ao Brasil, de 600 mil turistas. Aliciadores já se movimentaram para atuar nas doze cidades que sediarão eventos da Copa. Está sendo investigada, em Cuiabá (Mato Grosso), uma rede que oferta de 10 mil a 15 mil reais para meninas servirem sexualmente a turistas no período de 10 a 25 de junho. Campanhas publicitárias não faltam. Pode-se constatar o estímulo ao abuso sexual de crianças e adolescentes em publicidades de mais de mil sites da internet.

Copa pra quem_Não vai ter proteçãoO governo federal fez gestões no sentido de coibir propagandas em folhetos turísticos, como os de companhias de viagem e hoteleiras. Capa de uma revista francesa anunciou que “O BRASIL ESTÁ SE PREPARANDO PARA RECEBER OS TURISTAS, ENSINANDO INGLÊS PARA PROSTITUTAS”.  A Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República conseguiu que a Adidas recolhesse suas camisetas apelativas machistas já à venda internacionalmente.

Urge uma ação contundente e abrangente para proteger as mulheres, adultas ou não. A saída mais eficiente é a da inclusão dos clientes no código penal (compra de ato sexual), como fizeram Suécia, Noruega e Islândia.

*Iolanda Ide é militante da Marcha Mundial das Mulheres em São Paulo.

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