Veja como foram as mobilizações da MMM neste #8Feminista por todo o Brasil!

Nem presentes, nem congratulações: 8 de março é dia de luta!

Por: Bruna Rocha e Isabelle Azevedo*

Para nós, da Marcha Mundial da Mulheres, o 8 de março é uma data central para dar visibilidade às nossas lutas que se realizam, dia após dia, durante todo o ano. O Dia Internacional de Luta das Mulheres nasceu em 1910, a partir desta mesma perspectiva, e o dia 8 de março foi escolhido para ser esse dia de luta com o objetivo de homenagear as mulheres que protagonizaram a Revolução Russa, em 1917. Mas sabemos que o capitalismo patriarcal tem muitas artimanhas para tentar esvaziar o sentido político desta data combativa.

A mídia hegemônica insiste nos símbolos que nos colocam enquanto pessoas frágeis, em que a beleza e a vaidade são elementos centrais para as congratulações. “Mulher é feita para ser amada”, “Viva a delicadeza das mulheres”, “Neste 8 de março, dê um perfume da Natura para a sua companheira” – são os tipos de propaganda que saltam aos nossos olhos pelos outdoors e veículos tradicionais de comunicação neste período do ano.

Neste 8 de março de 2014, construímos o #8Feminista. Nós, mulheres em marcha, fomos para as ruas para dizer qual é o real propósito deste dia: continuar lutando, como sempre fizemos, por liberdade, respeito e igualdade. Fomos e vamos às ruas porque queremos que nossa voz seja ouvida, que nossos corpos deixem de ser violentados física e simbolicamente, que queremos participar das decisões que dizem respeito à vida pública e, portanto, à vida de cada uma de nós.

Por todo o Brasil, a MMM saiu às ruas neste #8feminista! Montagem: Isabelle Ferreira.

Por todo o Brasil, a MMM saiu às ruas neste #8feminista! Montagem: Isabelle Ferreira.

Neste ano, além de nossas pautas históricas – como o combate à violência machista, lesbofóbica e racista; o fim da divisão sexual do trabalho, conhecimento e acesso à informação; a legalização do aborto e o fim da prostituição a partir de uma política de autonomia plena para as mulheres; o direito a terra e a luta pela preservação da natureza –, nós também demos foco ao Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana para a Reforma Política.

A pauta do Plebiscito, cuja construção envolve a grande maioria dos setores de esquerda do Brasil, inclusive nós da Marcha, é central porque dialoga com todas as outras abordadas historicamente. Sabemos que as instâncias de poder não nos representam e, do jeito como estão configuradas atualmente, não estão dispostas a bancarem as transformações necessárias para mudar a vida das mulheres e, portanto, transformar de fato o nosso país. Por isso, aproveitamos o momento, para dizer que estamos construindo este processo democrático, e que lutaremos pela participação massiva das mulheres neste momento histórico.

Em todas as regiões do país, a Marcha Mundial das Mulheres realizou diversas atividades para reafirmar o Feminismo como a nossa grande ferramenta de luta, neste 8 de março, e em todos os dias de nossa vida. Com a irreverência e força que constituem a identidade de nossas ações, demarcamos o protagonismo das mulheres para o enfrentamento dos desafios políticos que estão colocados neste ano de 2014.


Confira como foi o #8Feminista nos estados:

Ceará

Em Fortaleza, a data foi marcada por ato um unificado que teve como tema “MULHERES NA RUA, A NOSSA LUTA É TODO DIA”. A caminhada saiu da Praça da Bandeira e percorreu as principais ruas do centro até chegar na praça Murilo Borges (BNB) onde foi realizada uma grande ciranda feminista. Durante o ato  a Marcha Mundial das Mulheres trouxe como pauta a mercantilização do corpo e da vida das mulheres.
Para Mariana Lacerda, do Comitê Estadual da Marcha, A nossa luta é contra o machismo e contra o patriarcado que afeta a nossa vida cotidiana. “Basta a gente ir para a faculdade, deixar o menino na creche, entrarmos no ônibus, para sermos assediadas. Basta que junto ao projeto da Copa estejam vendendo as mulheres como mercadoria. As mulheres não são mercadoria. A prostituição não é um projeto que nos representa. Nós não somos contra as prostitutas. Elas são nossas aliadas. Nós somos contra o mercado do sexo”,  afirma.

Em Canindé, no Sertão Central do Ceará, duzentas mulheres rurais do Comitê da MMM e do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais realizaram um ato público pelas ruas da cidade, terminando com a apresentação, na Câmara de Vereadores/as do município,  de uma extensa  pauta reivindicando políticas públicas que protejam as mulheres contra a violência cotidiana que sofrem, como a construção de uma delegacia da mulher no município. Uma audiência pública foi marcada para discutir a questão. Já as mulheres de Quixadá, também no Sertão Central, realizaram, no dia 7 de março, o seminário “Mulheres feministas enfrentando a violência contra as mulheres”. No dia 8, foi  realizada uma marcha pelas ruas da cidade, indo até a Câmara dos/as Vereadores/as.

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Ato unificado em Fortaleza (CE).


Espírito Santo

No dia 8 de março, mulheres de diversos movimentos sociais realizaram um Ato Unificado no Espírito Santo. A atividade foi realizada no bairro São Pedro, região de periferia da capital Vitória onde os índices de violência contra a mulher são significativos. A luta pelo fim da violência contra a mulher é emblemático no estado. O Espírito Santo é o primeiro no ranking nacional de homicídios de mulheres”.

A luta pelas creches também foi outro tema abordado pelas mulheres.  A Marcha Mundial das Mulheres, em conjunto com o Levante Popular da Juventude, lançou uma campanha apresentando a necessidade de ampliação do número de creches públicas. Durante o ato, foram distribuídos panfletos e bonecos, como parte de uma intervenção artística sobre o tema. No caso das creches, existe um déficit de 70% em âmbito estadual.

Rio Grande do Norte

Em Mossoró, RN, a Marcha Mundial das Mulheres reuniu aproximadamente 500 militantes do campo e da cidade da região oeste do estado, de mais de 13 municípios, em um ato que percorreu o centro da cidade deixando claro que o 8 de março é dia de luta das mulheres.

 “O nosso 8 de março é contra a mercantilização de nossos corpos e sexualidade, contra a condição de prostituição, contra a violência doméstica e sexista, contra o modelo de produção do agronegócio que ameaça a agroecologia e autonomia das mulheres e dos homens do campo na Chapada do Apodi e nos demais territórios, na construção do plebiscito popular pela constituinte exclusiva e soberana do sistema político para despatriarcalizar o poder e mudar o país, contra o racismo, a homofobia. Nossa luta é todo dia!”, afirmou Conceição Dantas.

Crianças, jovens, adultas, idosas batucaram latas e tambores, gritaram palavras de ordem e agitaram bandeiras. Depois de marcha pelas ruas, houve a mística e uma grande confraternização regada de feijoada, música e poesia com as companheiras.

Na capital Natal, a programação começou dia 8 e segue até dia 12. Marchas foram realizadas nos bairros populares de Felipe Camarão e Aliança. Em Açu, a programação começou dia 07 e encerrou com uma passeata pelas ruas da cidade no dia 08 de Março. Também foi realizada atividade na cidade de São Miguel do Gostoso.

Batucada feminista em Mossoró (RN).

Batucada feminista em Mossoró (RN).

Mato Grosso do Sul

O 8 de março foi construído com vários movimentos sociais em quatro cidades estratégicas: Campo Grande, Dourados, Corumbá e Três Lagoas. Em Dourados, uma caminhada marcou a ação da MMM na cidade, no 8 de março. Na pauta, os assassinatos de mulheres que tem crescido assustadoramente na região. Em 2013, foram 22 mulheres assassinadas ao longo do ano em Dourados. Só este ano já foram 13. “A delegacia funciona em horário comercial quando as violências acontecem nos finais de semana”, afirma Gleice Barbosa, da MMM-MS.

Com palavras de ordem como “A violência contra mulher não e o mundo que a gente quer” e “se cuida seu machista a América latina vai ser toda feminista”, as manifestantes caminharam pelas ruas da cidade, dialogando com as mulheres que andavam pelas ruas. Durante ato, foram distribuídos panfletos  e cruzes foram plantadas na praça principal junto aos cartazes e faixas. As mulheres vestiram preto em luto pelos assassinatos.

Ação em memória das vítimas de violência sexista em Dourados (MS).

Ação em memória das vítimas de violência sexista em Dourados (MS).

Rio Grande do Sul

Em Caxias do Sul (RS), as atividades da MMM no Dia Internacional de Luta das Mulheres incluíram a presença da Batucada Feminista na praça Dante Alighieri, com panfletagem no centro da cidade durante o dia, e a noite uma roda de samba feminista, com o grupo Samba Delas. A MMM participou ainda do debate “Elas na Política”, organizado pela Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Municipal de Vereadores, e de uma caminhada com diversas organizações da cidade.

Em Santa Cruz do Sul (RS), a Marcha Mundial das Mulheres participou, nos dias 7 e 8 de março, da construção de uma das primeiras iniciativas feministas da cidade: os Encontros Feministas. A atividade contou com palestras, oficina de stencil e batucada, exposições feministas, shows, debates. No dia 8, as mulheres caminharam pelo centro da cidade, finalizando com o ensaio da Batucada Feminista em frente a Prefeitura Municipal. Já em Esteio (RS), as mulheres desfilaram no carnaval de rua com o Bloco Mulheres em Marcha de Esteio com o tema “Mulheres de luta”.

Bahia

Por ocasião do 8  de março, as mulheres da MMM de Salvador realizaram um ato no centro da cidade, na Praça da Piedade, no Shopping Piedade e na Estação da Lapa. As militantes realizaram uma batucada e panfletagem com um material, chamando para o Ato Unificado que acontecerá no dia 17 de março, com outros movimentos de mulheres.

Dentre as questões abordadas na batucada, estavam o plebiscito popular, a violência urbana contra as mulheres e a falta de creches na cidade. O grupo denunciou ainda os demais problemas enfrentados pelas mulheres em Salvador: falta de transporte público de qualidade, a mídia local sensacionalista e as ações autoritárias da prefeitura contra a população. Na estação da Lapa, um jogral denunciou estes problemas e apresentou a Marcha Mundial para os e as transeuntes que passavam pelo local.

Em Salvador (BA), a batucada feminista foi até o Shopping X.

Intervenção no Shopping Piedade, em Salvador (BA).

Pernambuco

No Sertão do Vale do São Francisco, o 8 de março foi construído em parceria com a Associação das Mulheres Rendeiras do Bairro José e Maria, bairro periférico da cidade de Petrolina – PE.  As mulheres foram as ruas do bairro em Marcha, com o tema “Mulheres e Homens unidos pela paz”. A MMM levou as vozes, os cantos, e a batucada para dialogar com a população ali presente sobre o fim de qualquer forma de violência contra a mulher. Após a marcha, houve um momento cultural na sede da Associação onde as atividades foram encerradas com uma linda e mística ciranda de roda. Já na capital pernambucana, em Recife, a atividade foi realizada com batucada e panfletagem na Praça do Derby, no último dia 07.

Tocantins

O 8 de Março  em Araguaína (TO) foi marcado, assim como todos os outros dias, por muita luta. Durante a data alusiva às mulheres, foi realizado, o V Encontro de formação do Núcleo Olga Benário, que aconteceu na Universidade Federal de Tocantis (UFT), campus Araguaína, e contou com a presença da militante da Marcha Mundial da cidade de Palmas, Aline Kelly, e da Militante da Marcha Mundial das Mulheres e Diretora de Movimentos Sociais da União Nacional dos Estudantes, Amanda Teixeira. Elas facilitaram o debate sobre a linha política do feminismo da Marcha e sobre o Plebiscito Popular, por uma constituinte exclusiva e soberana do sistema político.

Ainda na manhã do dia 8, a MMM-TO participou da mesa de debate na Fundação Fé e Alegria, em Palmas, com o Tema “A violência Contra Mulher e o tráfico de pessoas”. A luta pelo fim da violência contra as mulheres é uma pauta permanente, pois o Estado do Tocantins se configura como um dos  estados com o maior índice de violência doméstica, marcado pela insuficiência de delegacias de atendimento a mulher, e pelo despreparo no atendimento das mulheres vitimas de violência.

Minas Gerais

Em Belo Horizonte, as mulheres foram as ruas com o Bloco de Carnaval “As Desobedientes do Ritmo, mulheres na rua”, colocando como pautas o plebiscito, a exploração sexual das mulheres na Copa do Mundo, a legalização do aborto e acesso às creches.

Bloco As Desobedientes do Ritmo em Belo Horizonte (MG).

Bloco As Desobedientes do Ritmo em Belo Horizonte (MG).

Rio de Janeiro

O 8 de março no Rio de Janeiro foi construído com o conjunto de movimento e organizações feministas de forma unificada. O ato aconteceu no sábado, nos Arcos da Lapa, com o mote “Basta de violência contra a mulher! Chega de machismo, racismo, lesbo/trans/bifobia e dinheiro para a Copa”.

Com a batucada, a MMM conduziu e animou o ato, dialogando com a sociedade de forma irreverente, mostrando uma nova forma de se fazer política, o que nos diferencia/ou dos outros movimentos e organizações. As palavras de ordem também retiraram um homem que assediou uma das mulheres participantes do ato e constrangeu a PM, que não fez nada com o agressor. Houve também ação de lambes e stencil pelas ruas da Lapa.

Batucada feminista nas ruas do Rio de Janeiro (RJ).

Batucada feminista nas ruas do Rio de Janeiro (RJ).

São Paulo

Mais de 5 mil manifestantes foram às ruas de São Paulo, durante o ato em que participaram dezenas de entidades e organizações feministas. A manifestação, que começou no vão livre do MASP, foi chamada para denunciar a opressão vivida pelas mulheres nesse sistema machista, mercantilizador, lesbofóbico, racista e destruidor da natureza.

A questão da prostituição e o PL 4.211, do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), que regulamenta as casas de prostituição, foi um dos temas criticados pela Marcha. “O projeto do Jean regulamenta a cafetinagem e expande a indústria do sexo.  O que ele está fazendo é oferecer respaldo aos homens como consumidores de serviços sexuais”, afirmou Sônia Coelho, da Marcha Mundial das Mulheres.

Fuzarca Feminista no Ato Unificado das Mulheres em São Paulo (SP).

Fuzarca Feminista no Ato Unificado das Mulheres em São Paulo (SP).

Também foram realizados atos e manifestações nas cidades de Cajazeiras (Paraíba), Parintins (Amazonas), Belém (Pará), Brasília (DF), Curitiba (PR) e Aracaju (SE).

* Bruna Rocha é militante da Marcha Mundial das Mulheres da Bahia e Diretora de Mulheres da UEB.

Isabelle Azevedo é militante da Marcha Mundial das Mulheres do Ceará.

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