Nota de repúdio da Marcha Mundial das Mulheres do Rio de Janeiro à campanha recentemente veiculada pela ONG “Rio eu amo eu Cuido” contra guimbas de cigarro

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Nós, mulheres e feministas da Marcha Mundial das Mulheres queremos expressar nosso total repúdio à campanha publicitária promovida pela organização “Rio eu amo eu Cuido” cujo mote é “ninguém gosta de bunda caída”.

Não somos à favor da poluição do espaço público. Somos absolutamente contra a utilização da imagem do corpo das mulheres de forma humilhante e depreciativa para se atingir a qualquer objetivo.

A campanha que supostamente pretende promover uma “conscientização” ambiental reproduz de maneira violenta a lógica de mercantilização dos nossos corpos, fazendo uma ligação estúpida, machista e quase incompreensível entre o corpo da mulher e a guimba do cigarro.

A publicidade pretende mais uma vez reforçar a imagem da mulher brasileira fortemente sexualizada e objetificada: servindo aos interesses do mercado e de todos aqueles que lucram com a exploração e alienação dos nossos corpos.

Sugerimos outra campanha em substituição: “Ninguém gosta de ONG machista que promove a mercantilização dos nossos corpos”.

Além disso, tal ONG poderia aproveitar para tornar transparente na sua página da internet a fonte de financiamento tanto da organização quanto das peças publicitárias por ela veiculadas.

Denunciamos e repudiamos essa campanha que violenta a autonomia dos nossos corpos e que perpetua as relações de opressão existentes na nossa sociedade.

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Nosso corpo nos pertence e continuaremos resistindo à colonização, à territorialização e a todos os ataques à nossa liberdade e soberania sexual.

Até que todas sejamos livres!

Comments

  1. Apoio as iniciativas de tal ong e participei de muitas ações, penso que são legítimas, assim como estou certo que a grande maioria dos engajados não corroboram com a campanha em questão, cobraremos a retratação, e espero que como retribuição vcs publiquem tal retratação quando (e se) houver!

  2. Muito triste observar o papel de mulher-objeto ao qual ainda somos submetidas. Algumas vezes no papel de “produto” outras vezes no papel de ” consumidoras”.

  3. Realmente de muito mal gosto, depois vão dizer por aí que brasileira é oferecida, por isso somos vista em outros países como putas. Que culpa temos se ate em uma campanha “educativa” tem que se falar de bunda. Ridiculo!! Um desserviço.

  4. Valdenir Barreto Alves says:

    Fiquei totalmante chocada com a colocação desta ONG, que associação horrorosa.

  5. É algo intolerável esse tipo de comparação. O corpo da mulher é sempre exposto em qualquer lugar, pelada, de biquíni, numa calça jeans, em qualquer lugar. O patriarcado acha que o corpo da mulher é público, mas nosso corpo nos pertence.

  6. Gostaria de que tambem fosse estabelecido um novo ato de repudio a mercantilização do sexo, via programa do BBB, da Globo, que numa atitute de desespero pelo lucro, esta apelando para a divulgação deste programa em horario diurno atraves do programa “Mais Voce” da Ana Maria Braga que inicia as 8:30 e termina as 10 horas da manha. Horario improprio para as crianças.

  7. Marcha da vadias, com mudez e cenas bizarras de simulação de sexo, ninguem se escandaliza tanto! Eu não sou católico, mas o que fizeram na JMJ é um atentado violento ao pudor, e não vi nenhuma feminista fazendo nota de repudio! Hipocrisia mandou um abraço. http://jorgeroriz.files.wordpress.com/2013/07/marcha-das-vadias-em-ipanema.jpg

  8. Pois é, e não nos esqueçamos de que muitas mulheres colaboram para que esse tipo de visão machista seja propagada. São mulheres que em busca de fama ignoram a história de luta feminina, ignoram um Brasil com altos índices de prostituição infantil, ignoram e seguem soberanas alimentando inclusive a competição feminina e as clínicas de cirurgias.

  9. Acho muito hipócrita o movimento feminista ficar indignado com a objetificação da mulher sendo que quem mais incentiva a vulgarização feminina são sa próprias,alegando ser “liberadde de corpo”.Além do mais,na hora de mulheres rebolarem nuas na sapucaí,feminista se cala e ninguém se elmbar do patriarcado.Então,só é machismo quando o homem se aproveita de algo que nós mesmas propagamos?Até prostituição eu vejo feminista defender,para depois ficarem nessa “revolta” contra amercantilização da mídia…haja contradição!

  10. Beatriz Santos says:

    Tenho um trabalho a apresentar sobre A Mercantilização do corpo feminino e esta postagem me ajudou bastante mas gostaria de conversar um pouco com a autora a respeito do movimento feminista para enriquecer ainda mais a minha pesquisa. Qaulquer coisa me contate no email bea_alvesan@outlook.com por favor

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