United Fruit Company, Somos todas Apodi.

Por: Iolanda Toshie Ide* –

01Antes que terminasse a Segunda Grande Guerra, a United Fruit Company já se atritava com o governo da Guatemala. A despeito da proscrição do comunismo pelo governo de Arévolo, seu apoio ao sindicato dessa companhia, embora discreto, provocou ingerências cada vez mais ousadas.

O Código de trabalho de 1947, embora oferecesse proteção aos grandes empreendedores, isentou os pequenos de algumas exigências. Foi o suficiente para a United Fruit Company tentar influenciar o governo de Harry Truman no sentido de uma intervenção na Guatemala. Para tanto, usou e abusou da imprensa para promover uma larga campanha de difamação da Guatemala junto ao Departamento de Estado.

Em troca da repressão ao nacionalismo guatemalteco, a United Fruit Company negociou com Truman, a suspensão do processo antitruste que a companhia vinha sofrendo.

Em 1951, Jacobo Arbenz sucedeu a Arévolo na presidência. Um ano depois, foi aprovada a reforma agrária. O Departamento de Estado norteamericano encarregou a CIA de praticar o golpe de estado. A Nicarágua estava fervendo com Somoza declarando que estava em curso uma invasão. O golpe contra o governo guatemalteco, financiado pela United Fruit Company foi adiado para março de 1953, mas malogrou.

D. Eisenhower, logo após sua posse, tratou de acelerar as intervenções. Em um mês e meio de planejamento, derrubou o primeiro-ministro do Irã. Na Guatemala, a reforma agrária e demais políticas sociais resultaram em estabilidade para o povo e popularidade para Árbenz. Foi necessário um ano de planejamento para que a Cia pudesse ultimar novo golpe. Usou a indústria cinematográfica Hollywoodiana, a publicidade, o rádio e a imprensa escrita em Miami para divulgar inverdades que, repetidas ad auseum pareciam verdade. Da Nicarágua, as emissoras de rádio transmitiam “informações” plantadas em programas radiofônicos gerados em Miami.

A popularidade de Jacobo Árbenz continuava firme até que grandes setores da igreja católica e jovens estudantes desconhecendo as injustiças a que estivera sujeito o povo da Guatemala, aderiram às agitações contra o governo de Árbenz. Em 15 de junho de 1954, o coronel Carlos Castilho Armas, escolhido a dedo pelos Estados Unidos, partindo se Honduras, depôs o presidente  Jacobo Árbenz. Cinco mil dos que resistiram foram assassinados. O New York Times, a pedido da Cia, não enviou jornalistas para cobrir o golpe

Segundo o historiador Greg Grandin, Rosendo Perez, capataz da United Fruit Del Monte Fuit), disparou a metralhadora no rosto de Alaric Benett, sindicalista e deputado afroguatemalteco. Capturou outros vinte sindicalistas e os executou. 

É a mesma United Fruit que atua na região de Apodi (CE). Somos todas Apodi.

02

Iolanda Toshie Ide é militante da Marcha Mundial das Mulheres em Lins (SP).

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