Dando um basta no machismo do hip hop

Por: Roseane Arévalo*

O machismo ainda está muito presente nos dias de hoje, seja nas ruas, em casa, no trabalho e até mesmo na cena cultural e nas letras de músicas. O movimento hip hop é composto por muitos homens que trazem constantemente em suas letras o total desrespeito com as mulheres. Quando sobem no palco, dizem que são contra a violência ou qualquer tipo de discriminação, e chegando em casa aplicam a violência contra suas companheiras e namoradas.

O rapper Emicida, em sua última entrevista ao Portal Terra, disse que o sistema é machista e, por isso, o hip hop é machista, ressaltando também que os filhos são criados pelas mães. Sim, o sistema é machista. Mas aí eu me pergunto: o hip hop, que é uma cultura que luta contra qualquer tipo de discriminação, não pode rever essa situação e lutar contra o machismo para não se igualar ao sistema?

femicida

(F)Emicida disparando uma série de pérolas sexistas em entrevista ao Portal Terra.

Muitos filhos são criados por mães solteiras que foram abandonadas pelos “companheiros”. Culpar as mulheres pela educação é fácil, quero ver ter responsabilidade paterna que muitos homens do próprio hip hop não têm. A música Trepadeira só afirma a cultura machista existente no hip hop, e não adianta dizer que as pessoas não entenderam a mensagem. Nós entendemos sim, e ela é um total desrespeito com as mulheres que lutam todos os dias para viver sem violência.

As mulheres no hip hop têm uma iniciativa diferente da dos homens, debatendo e trazendo em suas músicas temas sobre Direitos Humanos que falam da violência contra as mulheres. Algumas músicas relatam realidades vividas por elas mesmas, e isso faz com que se fortaleçam, construindo coletivamente formas de autonomia e liberdade. Uma dessas iniciativas das mulheres do hip hop foi a do grupo Atitude Feminina, de Brasília, que fez a música Rosas afirmando que “quem ama não mata, não humilha e não maltrata”. São as mulheres no hip hop pelo fim da violência contra a mulher!!


Roseane Arévalo atua na Casa Viviane dos Santos e é militante da Marcha Mundial das Mulheres de São Paulo e do Coletivo de Mulheres Lésbica da Marcha.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

%d bloggers like this: