Ações da MMM mobilizam o país no dia de combate à violência contra a mulher

*Por Jéssika Martins

Os números sobre a violência contra a mulher, no Brasil, são alarmantes, apesar dos avanços da Lei Maria da Penha. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no ano de 2012, aconteceram 26,1 estupros a cada 100 mil habitantes, o que equivale a um total de 50.617 casos e a um aumento de 19% em relação a 2011. Já a taxa de homicídios foi de 24,3 por 100 mil,somando 47.136 crimes.

A violência contra a mulher é estrutural da sociedade patriarcal e capitalista. O dia 25 de novembro, Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher, tem por intuito acabar com essas expressões de violência que assola a vida de mulheres do campo e da cidade, negras e brancas, jovens e adultas.

Mulheres da MMM em manifestação pelo fim da violência sexista, na feira hippie de Belo Horizonte/MG

Mulheres da MMM em manifestação pelo fim da violência sexista, na feira hippie de Belo Horizonte/MG

Por isso, nessa data, em todo o Brasil, a Marcha Mundial das Mulheres realizou ações em diversos Estados para reafirmar sua luta contra essa expressão do machismo ainda presente em nossa sociedade. A data relembra a luta das irmãs Mirabel que foram assassinadas de forma truculenta pela ditadura de Trujillo, na República Dominicana.

Em Belo Horizonte (MG), no domingo (24), as mulheres fizeram uma intervenção na Feira Hippie. O local é visitado por muitas pessoas e atividade nele conseguiu dialogar com um público bastante grande, além de tudo, a maior parte das expositoras e visitantes são mulheres. A ação contou com a batucada feminista da Marcha, com a distribuição de panfletos denunciando o descaso da Prefeitura, local onde a batucada também fez uma ação. Diversas feirantes e visitantes acompanharam a ação que contou com grande apoio da população.

Em Maceió (AL), as militantes da Marcha realizaram um ato no centro da cidade. Nele as companheiras denunciaram os casos de violência contra as mulheres no Estado. Cobraram da Superintendência da Mulher a convocação dos movimentos de mulheres para a reunião do Fórum Gestor Estadual do Programa “Mulher, Viver sem Violência”, que trabalhará as ações do Governo Federal no Estado. A atividade contou também com a batucada da Marcha que ecoou nossos gritos de ordem. Por fim, as mulheres rurais e pescadoras do MMTRP-AL, a batucada e as companheiras sindicalistas realizaram uma caminhada pelas ruas do centro.

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MMM de Alagoas em manifestação no centro de Maceió.

No Ceará, a Marcha Mundial das Mulheres e o projeto Casa das Orquídeas realizaram uma série de atividades, no Parque Santana, em Fortaleza, em alusão ao 25 de Novembro. Na segunda-feira (18), o debate sobre os sete anos de avanços e desafios da Lei Maria da Penha marcou o início das atividades na comunidade. Já no sábado (23), as mulheres se concentraram no Balão do Mondubim e de lá saíram em caminhada pelas ruas do bairro Parque Santana que, nos últimos meses, registrou inúmeros casos de violência sexual contra as mulheres. Através das palavras de ordem e da batucada, as feministas reafirmaram que não tolera nenhum tipo de violência seja ela de ordem física, moral e sexual. Durante as atividades, nossas militantes receberam e acolheram de algumas mulheres as denúncias de que eram vítimas de violência doméstica. Os casos serão acompanhados pela Marcha e pela Casa das Orquídeas que já trabalha com essa temática no bairro.

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MMM do Ceará em manifestação no Parque Santana, em Fortaleza.

Em Mossóro (RN), no bairro Nova Vida, onde ocorrem as maiores incidências de agressões contra a mulher na cidade, a MMM esteve presente com a marcha da Lanterna Lilás que desde o ano de 2005 atravessa a comunidade com luzes lilases acesas, bandeiras, cartazes, tambores e palavras de ordem para denunciar e afirmar a vigilância com as situações de violência contra a mulher. Os números da violência mostram que somente neste ano mais de 20 mulheres foram brutalmente assassinadas no Estado do RN. Cerca de seis denúncias diárias chegam à Delegacia Especializada na Defesa da Mulher (DEAM) em Mossoró.

Os Estados do Brasil com maiores índices de violência estão, em sua maioria, na região nordeste. A cada 2 minutos, 5 mulheres são agredida no Brasil e a cada quatro minutos uma mulher é assassinada no mundo.

A fim de dizer da nossa solidariedade feminista e dos direitos que temos, de alertar das diversas formas de violência e intimidar os machistas de plantão, a marcha da Lanterna Lilás seguiu com irreverência dialogando com mulheres e homens do bairro e culminou em uma mística fazendo memória das mulheres que não baixaram suas cabeças, acendendo nas presentes companheiras a chama da luta: seja nos defendendo e punindo a violência física e psicológica do machismo de cada dia, como também, construindo autonomia e organização das mulheres para mudar o mundo.

Em Brasília (DF), a Marcha organizou uma apresentação da batucada, trazendo uma reflexão sobre a violência contra as mulheres. A atividade contou com um painel com a história de algumas lutadoras negras e intervenções místicas. As mulheres também realizaram colagem de lambe-lambe em Samambaia, cidade satélite de Brasília.

Em Caxias do Sul (RS), as militantes da Marcha realizaram uma intervenção na Praça Dante Alighieri e pelas ruas centrais denunciando a violência contra as mulheres. As ações contaram com outros movimentos, entre eles o gripo “Elo Delas” do Hip Hop. A ação teve grande repercussão na cidade e na imprensa local.

No Rio de Janeiro (RJ), a chuva não impediu a ação das mulheres. Nas ruas do centro da cidade, as militantes da Marcha juntamente com mulheres de outros movimentos denunciaram a violência contra as mulheres. O ato teve encerramento nas escadarias da Câmara Municipal onde aos gritos de “Basta de violência contra as mulheres” deram o tom das fluminenses em resistência.

Em São Paulo, as ações também foram de diversos formatos e ocuparam diferentes espaços na cidade. No dia 23, as militantes realizaram uma ação no metrô, pelo fim dos assédios que as mulheres sofrem todos os dias no transporte público lotado, na capital e região metropolitana, seja apertões, empurrões, cantadas, encoxadas ou estupros. A ação dialogou com a população e demandou do poder público campanhas preventivas nos metrôs e ônibus, que informem às mulheres sobre os canais de denúncia e que constranjam os agressores; melhoria no treinamento aos funcionários truculentos do Metrô, que muitas vezes desacreditam as denúncias de assédios sexuais e, assim, violentam também às mulheres. A ação foi registrada no vídeo a seguir.

Itaquera, na zona leste da cidade, foi o espaço da manifestação na capital no dia 25, em conjunto com as casas de atendimento as mulheres vítimas de violência da região. Em frente à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), demandaram um atendimento adequado para as mulheres e políticas públicas efetivas. No dia 28, realização uma Audiência Popular devolutiva da CPMI da violência contra a mulher, na Assembleia Legislativa de SP. As companheiras denunciaram que o governo Alckmin é cúmplice da violência contra as mulheres por não investir recursos em políticas de enfrentamento.

*Jéssika Martins é militante da Marcha Mundial das Mulheres no Rio de Janeiro.

Comments

  1. Profa Claudia Silvia says:

    Bom dia, Gostaria de convidar vocs voces a conhecer o trabalho da nossa Ong., que est ariscada a fechar aps a quinzena de fevereiro. So 7.000 idosos por semana atendidos, entre eles a maioria de mulheres de todos os gneros e minorias. O endereo Rua Formosa 215, das 9 hs 18hs -Seg Sex, Informaes 3258-4276. As apresentaes das ltimas oficinas aps 9 anos, sero do 9 a 13 de dezembro. Se gostarem, esperamos a presena na audincia pblica, a sair no Dirio Oficial. Atte.,

    Profa. Claudia S.M.Barberis

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