Barramos o “ônibus rosa”: nossa luta continua

Por: Thandara Santos

Ontem (23/10), nós da Marcha Mundial das Mulheres, junto a diversos outros coletivos de mulheres que atuam na cidade de São Paulo, nos mobilizamos para barrar na Câmara Municipal o Projeto de Lei 138/2011, do vereador Alfredinho (PT). O projeto busca instituir a obrigatoriedade da reserva de 50% da frota de ônibus da cidade para as mulheres em horários determinados. Essa frota seria identificada com uma faixa rosa e os dizeres “Espaço exclusivo para mulheres”.

Foto: Thandara Santos.

Foto: Thandara Santos.

Participamos da audiência pública convocada pela Comissão de Administração Pública da Câmara para dizer aos vereadores que o espaço das mulheres deve ser o espaço público e que a segregação não vai acabar com a violência cotidiana que sofremos nas ruas e no transporte público.

As mulheres se mobilizaram ontem para dizer que não vamos aceitar que projetos de lei pautados pela cultura do estupro, que culpabiliza a vítima pela violência sofrida, sejam aprovados em nossa cidade. Defendemos que as mulheres tenham direito à cidade e que os recursos do município sejam direcionados para políticas realmente comprometidas com o combate à violência contra a mulher nas ruas, no espaço doméstico e no transporte público.

 Foto: Luiz França/CMSP

Leitura da Nota do movimento feminista contra o PL 138/11. Foto: Luiz França/CMSP

A audiência foi conturbada e interrompida diversas vezes pelo presidente da Comissão que, de forma truculenta, tentou calar as mulheres e postergar a conclusão do debate, o que desmobilizaria o movimento de mulheres presente. Mais uma vez, vimos o peso que tem o machismo arraigado em nossos espaços de decisão política, ao debatermos um projeto de lei que diz respeito à violência cotidiana que todas nós sofremos e conhecemos com uma Comissão inteiramente composta por homens.

Nós já conhecemos muito bem a tática do grito machista e não nos calamos e, assim, conquistamos mais uma vitória ontem. O vereador Alfredinho se comprometeu a tirar o PL 138/2011 de tramitação e a debater, junto ao movimento feminista, uma nova proposta.

Foto: Narcisa Adrastea

Foto: Narcisa Adrastea

A nossa luta, no entanto, não começou ontem e nem vai terminar naquela Comissão. Conquistamos a retirada deste PL segregador, mas agora continuamos nossa luta diária por políticas pública integrais de defesa da mulher. Não queremos uma nova lei para nos dizer como devemos nos portar no espaço público ou no transporte, queremos acesso à cidade para todos e todas, queremos mobilidade, queremos que os recursos públicos sejam direcionados para campanhas preventivas e educativas sobre a violência contra a mulher, campanhas que orientem as mulheres sobre seus direitos e que possam constranger os agressores. Queremos o estado ao lado das mulheres no momento da denúncia e da punição.

A nossa luta continua por uma cidade livre do machismo e do assédio, com direitos iguais de ocupação do espaço público.

* Thandara Santos é militante da Marcha Mundial das Mulheres de São Paulo.

Trackbacks

  1. […] político machista e conservador (sim, de direita, isso mesmo). Na audiência pública sobre o “Projeto de Lei do ônibus rosa”, que aconteceu dia 23, nós da MMM e de outras organizações feministas que estivemos presentes […]

  2. […] da reserva de 50% da frota de ônibus da cidade para as mulheres em horários determinados (saiba mais). No entanto, nós feministas entendemos que esse tipo de segregação só reforça as […]

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