Dia das Crianças: sexismo e consumo

Por: Paulinha Grassi*

O Dia das Crianças passou, e a data impulsionou a grande maioria da população a presentear filhos(as), afilhados(as) e mais próximos(as). Lojas de brinquedos e departamentos de hipermercados ficaram lotados para a compra do mimo para as crianças. No entanto, nessa movimentação e correria toda, paramos para pensar no porquê da necessidade quase que obrigatória da compra? Presentes: carinho ou consumo? Por que bonecas para meninas e carrinhos para meninos? Uma série de questões que passaram despercebidas ao olhar de muitos/as…

Estamos inseridos(as) em uma cultura de consumo que instiga cada um(a) de nós a comprar, a toda hora, produtos e artefatos para a garantia da nossa felicidade, energia e beleza. A todo o momento, propagandas na TV, internet e rádio educam nossas atitudes. Consumir e descartar, consumir novamente e descartar, para consumir logo mais a próxima tendência. As crianças, desde cedo, são inseridas na cultura consumista. Os brinquedos e jogos presenteados atuam na transmissão de valores, de comportamentos e de atitudes os quais passam a guiar as práticas de ser, vestir e consumir.

Ação direta feita pelo coletivo feminista de estudantes de História da Universidade de Caxias do Sul (UCS).

Ação direta feita pelo coletivo feminista de estudantes de História da UCS.

Entre as diversas dominações e opressões presentes no mundo, está o patriarcalismo, isto é, a dominação – exploração sistemática das mulheres e outras identidades de gênero pelos homens. Sua perpetuação e continuação ocorrem em diferentes espaços e de diversas maneiras, como no mercado de consumo infantil, ao estabelecer papéis a serem seguidos por meninos e meninas.

Assim, não é incomum que, desde os primeiros anos da vida humana, encontremos diferenças de gênero em relação às cores e aos tipos de brinquedos. Enquanto o rosa é a cor dominante para os itens voltados para as meninas, a cor azul é indicada para os meninos. Da mesma forma, o tipo/característica do brinquedo corresponde aos papéis e lugares designados para homens e mulheres na sociedade patriarcal.

Dessa forma, são incentivados aos meninos os brinquedos relacionados com a construção/destruição, o esporte, a corrida, profissões de mecânico, bombeiro ou policial: formas e atributos ligados ao espaço público. Para as meninas, que estão destinadas a ocupar um papel dentro da esfera privada, os brinquedos são bonecas, brinquedos vinculados aos cuidados, tarefas domésticas, maternidade, beleza, profissões de professora, dona-de-casa e enfermeira.

A questão não é o brinquedo em si, mas os interesses da sua utilização. Que tipos de brinquedos desejamos para nossas crianças? Aqueles que permitem desenvolver a livre imaginação, a inteligência, a criatividade e a compreensão da realidade? Ou os que marcam, delimitam e reforçam os espaços desiguais de gênero, contribuindo para a continuidade das opressões? Além disso, a compra frenética de brinquedos, sejam eles tecnológicos ou não, garante o diálogo e o carinho, fundamentais na infância? Contribuímos para a criação de cada vez mais jovens e adultos(as) consumidores(as)? Os brinquedos não devem ser destinados para um sexo/gênero particular, mas sim, devem ser ferramentas que permitam aos meninos e meninas construírem suas identidades de forma livre, e não apenas a se apegarem a falsas necessidades de consumo.

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Ação direta feita pelo coletivo feminista de estudantes da História da Universidade de Caxias do Sul (UCS). A ação foi inspirada em intervenção do coletivo Arte Al Ataque, da Frente Popular Darío Santillán (Argentina).


*Paulinha Grassi é militante da Marcha Mundial das Mulheres de Caxias do Sul (RS).

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