Mídia machista: somos mulheres e não mercadoria

MMM realiza intervenção urbana contra publicidade sexista em Mossoró (RN)

Por: Camila Paula*

Andando pelas ruas da cidade, as pessoas se deparam com: “coma duas, pague uma”. Essa é a frase dos outdoors do Motel Vert, espalhados por toda Mossoró (RN). É uma campanha criativa? Engraçada? Não. É apelativa, ofensiva e atinge diretamente a nós, mulheres. E não é a primeira vez que essa empresa veicula publicidade (de muito mau gosto, por sinal) de sentido dúbio usando as mulheres como coisas, objetos. Inadmissível. Por isto, na madrugada de 15 de outubro, militantes da Marcha Mundial das Mulheres foram às ruas e deixaram nosso recado: Somos Mulheres e não mercadoria!

Ação da MMM em Mossoró (RN).

Ação da MMM em Mossoró (RN).

A pesquisa publicada recentemente na revista Carta Capital, “Representações das mulheres nas propagandas na TV”, realizada pelo Data Popular e Instituto Patrícia Galvão, ouviu mais de 1.500 homens e mulheres em 100 municípios de todas as regiões do país. O resultado aponta que 84% da população (incluindo homens) acreditam que o corpo da mulher é usado para promover a venda de produtos. 58% dos(as) entrevistados(as) acham que propagandas reduzem a mulher a um objeto sexual e, acredite, 70% defendem que deve haver alguma punição para responsáveis por propagandas que mostram a mulher de forma ofensiva.

O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária afirma que “toda atividade publicitária deve caracterizar-se pelo respeito à dignidade da pessoa humana”, e que “nenhum anúncio deve favorecer ou estimular qualquer espécie de ofensa ou discriminação racial, social, política, religiosa ou de nacionalidade”. E o CONAR, órgão de regulamentação de publicidade, se faz de doido pra não garantir a efetivação do Código.

Enquanto a sociedade neoliberal patriarcal tiver o controle de uma mídia sem escrúpulos, campanhas como as do Vert, de cervejas e de tantos outros produtos e serviços serão machistas, homofóbicas, racistas e discriminatórias. É preciso democratizar os meios de comunicação para que possamos construir a verdadeira liberdade de expressão, resguardando as diversas vozes e manifestações sociais, culturais, políticas e ético-raciais.

Como movimento de contra-cultura que luta contra o machismo e/no monopólio dos meios, dizemos: mídia machista, somos mulheres e não mercadoria!

* Camila Paula é atriz, poetisa e militante da Marcha Mundial das Mulheres do Rio Grande do Norte.

[LEIA MAIS]

Regulamentar a comunicação pelo combate ao machismo no imaginário brasileiro

Comments

  1. Ação Direta feminista, tamo juntas!

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