Contra a cultura do estupro, pelo direito a uma vida livre de violência

Núcleo Maria Rogaciana da MMM realiza intervenção urbana pelo fim da violência contra a mulher em Vitória da Conquista, na Bahia

No Brasil, a cada três minutos uma mulher sofre algum tipo de violência. A cada 2 horas, uma mulher é assassinada. Em Vitória da Conquista (BA), são registradas cerca de 150 ocorrências mensais de violência na DEAM (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher), e dessas, 80% são por lesão corporal ou ameaça. Entretanto, os casos de violência sexual são muito pouco denunciados. Ademais, sabemos que apenas 2% dos agressores de mulheres são condenados.

O estupro é talvez a manifestação mais cruel da violência machista: anuncia o fato de que a mulher não tem possibilidade de escolhas sobre o seu próprio corpo, e que nossas vidas estão inscritas no limite da subordinação aos homens. Os casos de estupro são cada vez mais recorrentes em nossa sociedade, que convive e naturaliza a violência às mulheres. A violência é utilizada como controle da vida, do corpo e da sexualidade das mulheres.

Ação da MMM de Vitória da Conquista (BA), Núcleo Maria Rogaciana. #FimdaViolênciaContraMulher

Ação da MMM de Vitória da Conquista (BA), Núcleo Maria Rogaciana. #FimdaViolênciaContraMulher

Muitos estupros tentam ser justificados porque caminhamos sozinhas à noite, porque utilizamos determinadas roupas ou frequentamos determinados locais, numa lógica que culpabiliza a vítima e legitima a violência. Esse mecanismo funciona como “corretivo” às mulheres consideradas desviadas dos papeis a elas socialmente atribuídos, um castigo por desobedecermos as normas que nos são ensinadas/impostas. O recado é bem óbvio: fique em casa, não ocupe espaços, não fale, ande na linha, não dance, não cante, não beba.

A lei Maria da Penha representa um avanço, fruto da luta do movimento feminista. Mas os problemas de precariedade nos órgãos e na rede de atendimento às mulheres, a falta de pessoal especializado e de funcionários capacitados, o sucateamento das poucas delegacias de atendimento à mulher e a quase inexistência de equipamentos como casas-abrigo públicas dificultam a aplicação dessa lei e o rompimento do ciclo de violência vivido pelas mulheres.

Ação da MMM de Vitória da Conquista (BA), Núcleo Maria Rogaciana. #FimdaViolênciaContraMulher

Ação da MMM de Vitória da Conquista (BA), Núcleo Maria Rogaciana. #FimdaViolênciaContraMulher

Compreendemos que a superação dessa cultura do estupro e a oferta de meios eficazes para o combate e a eliminação da violência contra a mulher é parte fundamental da construção de uma sociedade em que justiça, igualdade e liberdade sejam pilares.

Por isso, damos hoje nosso recado à sociedade conquistense: ESTUPRO É CRIME, E PRECISA SER PENALIZADO. A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA.

Marcha Mundial das Mulheres, Núcleo Maria Rogaciana.

Vitória da Conquista, 16 de outubro de 2013.

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