Mulheres em Marcha, por todo o Brasil, para legalizar o aborto

Marcha Mundial das Mulheres realiza ações em diversos estados no Dia de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto

A legalização do aborto é uma bandeira de luta histórica do movimento feminista, e uma das principais agendas de luta da Marcha Mundial das Mulheres. Neste 28 de setembro, Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto, realizamos uma série de ações, nas redes e nas ruas de todo o país, em luta pela vida de todas as mulheres. Na internet, fizemos uma série especial de textos no blog, uma campanha fotográfica no Facebook e uma ação no Twitter (“tuitaço”) com a tag #legalizaroaborto, em que chegamos a ficar entre os 10 assuntos mais falados no Brasil. Nas ruas, a MMM também deixou sua marca mais uma vez. Veja um pouquinho do que rolou em cada região.

Bahia

No Dia de Luta pela Legalização do Aborto na América Latina e no Caribe, as baianas organizadas na Marcha Mundial das Mulheres realizaram ações públicas em Salvador, com o objetivo de conscientizar a população da cidade sobre a importância do assunto.

Na Rua Caetano Moura, uma das principais avenidas da cidade e que tem grande circulação de jovens e da população em geral, as militantes pintaram em um muro a frase “Eu aborto, tu abortas, somos todas clandestinas”. No mesmo local, fizeram um mosaico de lambe-lambes, com diversos dados sobre o aborto no país e no estado.

Ação da MMM em Salvador (BA). Foto: Inajara Diz.

Ação da MMM em Salvador (BA). Foto: Inajara Diz.

Elas também confeccionaram uma grande faixa com a frase “Legalizar o Aborto – Direito ao nosso Corpo”, de forma que as cores pudessem gerar também outra combinação de palavras: “Direito ao Aborto – Legalizar o nosso Corpo”. A faixa foi exposta em pontos específicos da cidade, entendidos como fortemente significativos para a reprodução do Patriarcado ao longo das gerações: Elevador Lacerda (ponto turístico), Palácio Rio Branco (Histórico lugar de poder do governo da Bahia), Avenida Sete de Setembro (relacionada com a violência urbana), Estação da Lapa (violência nos transportes públicos) e Porto da Barra (lugar de constante mercantilização dos corpos)”.

No Estado da Bahia e, atualmente com mais intensidade, em Salvador, a cultura patriarcal é forte e cruel. Está cotidianamente barrando conosco nas ruas. Nossa ação de rua foi pensada para dialogar com as mulheres trabalhadoras (principais vítimas da criminalização do aborto) e também com a cidade em geral.

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Rio Grande do Norte

Com cartazes, palavras de ordem e batuques, por volta das 21 horas do dia 28, militantes da MMM paralisaram o beco mais conhecido da cidade de Mossoró: o Beco dos(as) Artistas. Elas tinham como objetivo falar de um assunto sério: aborto. O Beco dos(as) artistas é um local que está sendo ocupado pela juventude de esquerda da cidade e, um lugar onde as feministas também têm expressado sua voz.

Cerca de 200 jovens que ali estavam para debater política, curtir boa música, poesia e cerveja pararam para ouvir Cínthia Simão, militante da Marcha, que usou o microfone para explicar o motivo da intervenção e o quanto a luta pela legalização do aborto é importante: por uma questão de direito, de saúde pública e pela vida. Ao final da fala, as militantes ensinaram a palavra de ordem que a galera cantou junto: “Legalize! O corpo é nosso! É nossa escolha! É pela vida das mulheres!”.

O cartaz com os dizeres: “Legalizar o aborto, Direito ao nosso corpo” ficou na parede do beco e, com certeza, o recado foi guardado nas mentes pensantes e corpos dançantes daquele sábado à noite. Sigamos em marcha pelas ruas, becos, em qualquer lugar: “mudar a vida das mulheres para mudar o mundo e mudar o mundo para mudar a vida das mulheres!”.

MMM de Mossoró (RN) no Beco dos(as) artistas.

MMM de Mossoró (RN) no Beco dos(as) artistas.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, as atividades relativas ao 28 de setembro foram antecipadas. A já tradicional ação das militantes cariocas foi realizada no dia 26, conjuntamente com outros movimentos sociais feministas unidos na Frente Contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto. Isso aconteceu porque enfrentamos aqui uma forte ofensiva conservadora.

Nas últimas semanas de setembro, a bancada conservadora da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) trouxe para a pauta do seu plenário o Projeto de Lei nº 416, de 2011, que propõe a criação de um “Programa Estadual de Prevenção ao Aborto e Abandono de Incapaz”, com a construção de “Casas de Apoio à Vida”. O projeto foi apelidado pelas militantes de Estatuto do Nascituro Fluminense, ou simplesmente de “casas estupro”. Havia a informação que no horário da atividade seria dado início à votação desse PL. No entanto, a votação foi adiada.

Manifestação em frente à Alesp marca Dia de Luta pela Legalização do Aborto no RJ.

Manifestação em frente à ALERJ marca Dia de Luta pela Legalização do Aborto no RJ.

No clima de solidariedade militante e feminista, dividimos as atividades do dia em três momentos: agitação, visibilidade e conscientização. Na primeira etapa, a batucada feminista da Marcha Mundial foi fundamental, e nos ajudou a chamar a atenção de quem passava pela rua para o debate. Depois, estendemos um grande tecido roxo pelas escadarias da ALERJ com os dizeres: “Nenhuma mulher deve ser maltratada, presa ou humilhada por ter feito aborto!”. Por fim, seguimos com muita conversa e panfletagem pelas ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro.

28 de setembro de 2013 no Rio de Janeiro.

28 de setembro de 2013 no Rio de Janeiro.

Ceará

Para marcar a data, a Marcha Mundial das Mulheres do Ceará realizou uma panfletagem sobre o tema e conversou com as mulheres nas ruas sobre a questão do aborto. A ação aconteceu na comunidade da Serrinha, em Fortaleza, durante a realização do evento 2º Quadra da Serrinha.

As militantes também deram o recado aos setores conservadores através de uma nota distribuída: “Estamos aqui para dizer que também somos a favor da vida e para fazer o debate a partir da análise da realidade e de forma honesta”. Ainda para lembrar a data, o Núcleo Jana Barroso realizou uma intervenção na Universidade Estadual do Ceará (UECE). Foram colados lambe-lambes alertando as jovens que a luta pela legalização do aborto também é uma luta das estudantes.

Intervenção urbana em Fortaleza (CE).

Intervenção urbana em Fortaleza (CE).

São Paulo

Às vésperas do Dia de Luta pela Legalização do Aborto, as jovens paulistanas da MMM realizaram uma intervenção urbana ao lado da Igreja do Calvário, que fica no bairro Pinheiros. Elas pintaram as frases “Eu aborto, tu abortas, somos todas clandestinas” e “Legalizar o aborto”. No dia 28, as militantes se juntaram à Frente Nacional contra a Criminalização de Mulheres e pela Legalização do Aborto em uma manifestação, na Avenida Paulista. A batucada da Fuzarca Feminista, juntamente com as batucadas de outros movimentos que integram a Frente, deram seu recado através de músicas e palavras de ordem irreverentes, enquanto outras militantes conversavam com a população através de um carro de som e distribuíam panfletos de conscientização.

Minas Gerais

Em Belo Horizonte, o 28 de setembro foi marcado por manifestações não apenas pela legalização do aborto, mas também contra os padrões de beleza e a indústria farmacêutica. A ação aconteceu na entrada do Minascentro, onde foi realizado o Miss Brasil 2013, o maior concurso de beleza do país. O protesto foi organizado pela Marcha Mundial das Mulheres, com apoio do Levante Popular da Juventude e de mulheres de diversas outras organizações e coletivos.

As militantes criticaram o padrão de beleza reproduzido e reforçado em eventos como o Miss Brasil, que violenta a nós mulheres, enriquece as grandes indústrias farmacêuticas e contribui para o desenvolvimento de doenças como anorexia e bulimia. Além disso, com faixas, panfletos e palavras de ordem da batucada feminista, elas também exigiram a legalização do aborto.

Manifestação na porta do Miss Brasil 2013 marca o 28/09 em Belo Horizonte.

Manifestação na porta do Miss Brasil 2013 marca o 28/09 em Belo Horizonte. Foto: Bruno Santos (Portal Terra).

Rio Grande do Sul

Campanha da MMM-RS na rede.

Campanha da MMM-RS na rede.

Em Caxias do Sul, as militantes vêm fazendo atividades descentralizadas desde a semana passada. No dia 28, foi realizada uma oficina de stencil, em que foram confeccionados diversos moldes feministas. Durante essa semana, elas estão realizando intervenções urbanas.

Em Porto Alegre, a ação da Marcha Mundial das Mulheres foi realizada no domingo (29/09) à tarde, em conjunto com outros movimentos feministas. Foi uma bela caminhada em torno do Parque da Redenção, lugar tradicional de manifestações nos finais de semana. Avançamos um passo no horizonte maior de nossa luta com a retomada do chamado pela legalização do aborto, e não apenas contra o Estatuto do Nascituro.

Seguimos em marcha, até que todas sejamos livres e até que o aborto seja legalizado no Brasil

Entendemos que a legalização do aborto é uma questão de saúde pública, uma vez que o aborto inseguro é a quarta causa de morte materna no Brasil. Mais de um milhão de abortos clandestinos são realizados por ano no país: mulheres casadas, solteiras, jovens, mais velhas e adeptas de diferentes religiões. A proibição não evita que as mulheres recorram a essa prática, a diferença é que as mulheres que têm condição de pagar por um aborto seguro recorrem a clínicas, enquanto as mulheres negras e pobres acabam morrendo em decorrência da situação precária em que são realizadas as práticas, ou mesmo quando chegam ao sistema público de saúde com complicações e têm seu atendimento negligenciado.

Entretanto, nós da MMM entendemos também que a esta é uma questão de autonomia das mulheres, pois cabe a cada uma decidir se quer se mãe ou quando. Nesse sentido, lutar pela legalização do aborto também é lutar pelo direito das mulheres exercerem sua sexualidade livremente, e pelo direito de recorrerem ao aborto não como método contraceptivo, mas como último recurso para evitar uma gravidez indesejada.

Somente a pressão social pode fazer o processo avançar. É preciso reverter este cenário com a urgência que um caso de genocídio demanda. Aborto é questão de saúde e não de Justiça. A vida das mulheres diz respeito a nós mesmas.

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