Sejamos solidárias com as mulheres prostituídas, repudiemos veementemente os proxenetas

Por: Iolanda Ide*.

A exploração da prostituição é a forma mais exacerbada com que o patriarcado oprime as mulheres. Promove elucubrações cerebrinas para justificar o injustificável. Há quem se deixe enganar pelo discurso que proxenetas colocam na boca de algumas mulheres. Ser feminista é não ter medo de ser mulher, não ter medo de parecer moralista quando se combate a exploração da prostituição.

O medo paralisa e até empurra para o campo dos inimigos dos Direitos das Mulheres. Não nos deixemos amedrontar. Sejamos solidárias com as mulheres prostituídas, e repudiemos veementemente os proxenetas. A exploração da prostituição de uma mulher atinge o mais profundo de meu ser como mulher.

Exposição da MMM na Galeria Olido. Foto: Elaine Campos.

Exposição da MMM na Galeria Olido. Foto: Elaine Campos.

Descriminalizar a exploração da prostituição é aceitar a mais aguda violência contra as mulheres. Se sendo crime, como prevê o Código Penal, os exploradores da prostituição aliciam meninas, aprisionam, ameaçam, agridem, traficam (até para o exterior) e, quando denunciados, até matam as mulheres, o que não farão se for aprovado o projeto de lei que visa descriminalizar a exploração da prostituição?

Os gigolôs se multiplicarão aos milhões. A exploração da Prostituição é uma atividade altamente lucrativa, como sempre, à custa da violação dos direitos das mulheres. Continuamos lutando para superar toda e qualquer forma de machismo.

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

Iolanda Ide é militante da Marcha Mundial das Mulheres de Lins.

Comments

  1. O mesmo argumento para a criminalização das drogas. Só que desta vez, para proibir o sexo

    • Maria Lucia says:

      Muito fácil defender prostituição quando não se está num grupo de risco.Gostaria de saber se a colega iria aceitar ter seu corpo disposto para vários homens estranhos que mediante pagamento,se gostaria de ser leiloada aos 11 ano ou se acharia engraçado acabar no tráfico de mulheres.Mercantilização da mulher não é sexo,nosso sexualidade não é um serviço..difícil entender isso,hein? E já que tocou no assunto,a destruição de vidas pelas drogas também é algo desejável pela senhorita? Incrível como esse tal pensamento liberal apóia de tudo o que é destrutivo para o ser humano!

      • Não gosto de comparar legalização de drogas com legalização da prostituição e com legalização do aborto (apesar de ser a favor das três). Mas assim como legalizar o aborto não quer dizer que será permitido abortar com 8 meses de gestação sem motivo de risco, a legalização da prostituição também não legalizaria a prostituição infantil, nem o tráfico de mulheres.
        Acredito que a legalização da prostituição – se fosse feita de uma forma adequada, com fiscalização e participação das prostitutas nos debates antes da nova legislação ser aprovada – poderia fazer diminuir situações de abuso que muitas prostitutas (principalmente de rua) sofrem.
        Acho que a legalização poderia vir acompanhada de debate sobre o tema, visibilidade e voz para as prostitutas.

        Não, eu nunca me prostituí e não sei o que é essa situação de venda do corpo em seu limite literal.
        Mas eu acho que se o que se quer é acabar com a prostituição, o caminho mais justo seria dar direitos e proteção a prostitutas, e educação e debate para a população em geral (inclusive para as prostitutas). Acho que a demanda pela prostituição diminuiria com um diálogo mais aberto sobre isso, sobre os direitos sobre o corpo, sobre o corpo da mulher, sobre o próprio capitalismo.

        Claro que corremos o risco do capitalismo se apropriar dessa legalização para ou aumentar o repúdio e a exclusão das prostitutas com apoio das religiões moralistas, ou estimular a prostituição e a venda do corpo das mulheres mais ainda, aproveitando o mercado.
        Mas também estamos aqui para lutar para que isso não aconteça. =)

        Acho que a proibição total já se mostrou ineficiente. Acho que é tempo de procurar alternativas.

  2. Não entendi a relação, Dorothy. Nós também estamos na luta contra o proibicionismo das drogas e acho que é completamente diferente a questão. O que a Iolanda levanta é que não tem como discutir a prostituição sem falar do tráfico de mulheres, que leva milhões de mulheres e até crianças para essa situação, e que movimenta milhões de dólares para o bolso de cafetões e cafetinas, internacionalmente. Também não dá pra debater seriamente a prostituição sem considerar a violência a que muitas são submetidas. Justamente por isso a importância de sermos solidárias com essas mulheres.

    • Maria Lucia says:

      já leh ocorreu que muitas prostitutas precisam se drogar para aguentar o “serviço”? como pretendem ajudar essas mulheres defendendo o que ajuda a destruí-las? o que dizer da juventude destruída pelo crack? fico pasma como feministas se contradizem…

  3. Maria Lucia says:

    O Brasil ainda está engatinhando nesse quesito,ainda tem essa idéia de que prostituta escolhe,como se alguém escolhesse se submeter a tamanha violência.Impressionante como quando se dão voz ás prostitutas no exterior,elas desmintificam sua “profissão”! e denunciam as violências insanas ás quais são submetidas. Aqui,não,insistem nessa estória de “escolha” e baboseiras afins ao invés de se focar o que significa uma sociedade que permite a mercantilização das mulheres e as consequências para todas nós.E os clientes,cade? os homens que criam a demanda?Ainda estamos muito atrasadas…e bota atrasadas nisso!

  4. Vita, é bom lembrar que, no Brasil, pela legislação vigente, o exercício da prostituição não é nem crime nem contravenção penal. Crime é explorar a prostituição alheia.
    Não se trata absolutamente de proibir o exercício da sexualidade.
    A exploração da prostituição alheia alheia rende altos lucros a custa da transformação da mulher em mercadoria.
    É sintomático que se queira aprovar o projeto que legaliza a exploração da prostituição justamente em contexto de Copa Mundial de Futebol. Quem está por trás?
    Iolanda Ide

  5. Eu não vejo problema em legalizar a exploração da prostituição. Encaro-a como uma forma de trabalho. Se um operário pode vender sua força de trabalho para ser explorado, por que não pode uma mulher usar seu corpo como força de trabalho? Com condições adequadas, vejo que uma associação de prostitutas lideradas por alguém – bem como várias outras organizações laborais- pode ter muitos benefícios, os quais uma única trabalhadora não conseguiria alcançar. Por exemplo, pode ser mais fácil para ela conseguir clientes, pode ser mais fácil para ela ter um ambiente de trabalho: pode até ser mais seguro, pensando que, caso ela trabalhe em um prostíbulo com a devida segurança, o homem -além de ficar mais intimidado em coisificar a mulher-, caso a desrespeite como profissional, torna-se mais fácil tomar as medidas de punição que couberem ao caso.
    Entretanto, vale sempre lembrar os graves e infelizmente triviais problemas advindos dessa exploração e pensar em formas de combatê-los: o tráfico de mulheres, mal trato, violência e etc. Uma das formas seria estipular novas leis que protejam a trabalhadora e a cooperação. De novo, deve-se tratar isso como uma empresa. Assim como em uma multinacional um empregado não vai para o exterior sem os devidos cuidados, o mesmo deveria ser válido para prostituta. Com uma visão de que a prostituta é uma trabalhadora, uma pessoa -e não uma coisa-, ela deve ter direitos como tal, os quais, se não cumpridos, devem acarretar em punições legais para o responsável.
    Ademais, é mister falar da obrigatoriedade em melhorar as condições de vida do povo -e da mulher, consequentemente. Se uma mulher se torna prostituta porque é obrigada (seja por um membro da família, seja pelas necessidades de pagar as contas e não conseguir um emprego), há algo de errado na sociedade. A prostituta deve ser prostituta porque quer: porque acha mais cômodo do que ser uma professora, por exemplo; e não porque não consegue ser uma professora. Novamente, deve-se pensar na prostituição como um emprego saudável – não como um último recurso de uma mulher desesperada.
    Algo utópico, talvez, concordo; porém, a longo prazo, não vejo problemas nesse sistema.

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