Ai mídia, você me cansa

Por: Clareana Cunha*

Por  séculos, as  mulheres não foram vistas como merecedoras dos mesmos direitos que os homens. A sociedade é organizada  para negar seus direitos, estabelecendo papéis diferentes para homens e mulheres. Na divisão desses papéis de gênero, as mulheres foram subordinadas aos homens, caracterizando uma cultura machista na qual o homem tem mais poder e mais direitos, e a mídia contribui com isso .

A “velha” mídia não gosta do feminismo e procura sempre desqualificar o mesmo. Quando surge uma noticia acerca do assunto, sempre está associado a algo como propaganda, ou alguma ação das ditas “novas” feministas do movimento que se chama “ Femen”, o qual não representa em nada o feminismo e nossas lutas anticapitalistas e antipatriarcais. Mas a mídia usa isso, porque está associado à nudez, afinal, nada sai na imprensa de graça.

Exemplo recente foi a homenagem que as mesmas fizeram à morte da  ex-primeira Ministra do Reino Unido Margaret Thatcher, considerada a percursora do Neoliberalismo – que, como todas sabemos, de feminismo não tem nada.

A grande mídia divulga o que é interessante para seu lucro. Esses tempos, vi na capa da Veja a Daniela Mercury e sua esposa: uma matéria forçada, mas já que iria vender bastante, portanto, a Veja não exitou duas vezes em escrever sobre o assunto,  criticando inclusive a tardia não aprovação do casamento homossexual no Brasil (hãn??). Estranho, levando em consideração  o que é a Veja, né.

A minha crítica aqui é porque não vejo a mídia divulgando por livre e espontânea vontade coisas sobre ações sérias do movimento feminista. O dia 8 de março sim, até porque senão fica feio, contudo, as ações da Marcha Mundial das Mulheres  pouco destaque têm na grande imprensa, porque pautas e reivindicações politicas de fato não são interessantes e, claro, porque a mídia é machista.

Prevalece a ideia, em todo campo midiático, da mulher objeto. Outro exemplo recente foi Gerald Thomas e sua passada de mão na Nicole Balhs, pois, além da mídia não se posicionar a favor de nós mulheres que nos indignamos com a situação, ainda divulgou a nota, mas sem soltar um contrapondo digno. Vi em alguns meios de comunicação não tradicionais e, pra falar a real, na grande mídia passou batido.  Afinal, que se dane a cultura do estupro, né ?

Os meios de comunicação tradicionais continuam a ser um dos melhores colaboradores para a opressão da vida das mulheres. Falei disso em um post passado sobre como a lógica do capital e da cultura de massa, e a manipulação para gerar consumo afeta em grande escala a luta feminista, e a pergunta que fica é :

Como combater o machismo na mídia ?

Bom, uma das formas de fazer isso é através da internet (desde que já não acabem com a liberdade na rede, só pra não esquecer da crítica), nos apropriar o quanto podemos dos meios alternativos, blogs, revistas, nossas manifestações urbanas, lambes etc. Sempre passando a nossa mensagem que é Liberdade, Autonomia e Igualdade.

Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!

 *Clareana Cunha é estudante de Ciências Sociais na Fundação Escola de Sociologia e Politica de São Paulo (FESPSP) e militante da Marcha Mundial das Mulheres- SP

Comments

  1. Maria de Lourdes says:

    Só uma pergunta: vcs vivem reclamando que a mídia é machista mas são coniventes com a mulher se se objetifica,como fica então? Esta tal de Nicole Balhs,se é direito dela se pocisionar como mulher-objeto,por que os homens são malignos quando a tratam como um? O machismo da mulher é justificável então? Não é atoa que o feminismo virou piada,não é por causa do machismo da mídia,mas do discurso contraditório( para não dizer hipócritra) das feministas.

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