Movimento feminista e o aborto na América Latina: a soberania do corpo das mulheres frente o capitalismo. Nossas impressões.

*Por Maria Fernanda Marcelino e Sarah Luiza, direto do Chile.

Atividade AbortoAtendendo ao chamado da Marcha Mundial do Chile, no dia 25 de janeiro, e reunidas na Cumbre de los Pueblos 2013, em Santiago do Chile, realizamos um debate sobre “Movimento feminista e o aborto na América Latina: a soberania do corpo das mulheres frente o capitalismo” com a participação de mulheres que compartilharam as experiências na luta pela descriminalização e legalização do aborto na América Latina. Participaram da mesa representantes do Brasil, Chile, Argentina, com a contribuição do secretariado internacional da MMM sobre o contexto vivido pelas mulheres da Europa.

Estiveram na atividade cerca de 70 pessoas, mais de 90% mulheres e um grande número de jovens de países como Brasil, Argentina, Bolívia, Peru, Paraguai, Cuba, México, França, Suécia e Chile interessadas em entender o contexto do aborto em outros países e debater como o patriarcado se expressa no controle do corpo das mulheres latino-americanas, europeias e caribenhas.

A utilização dos corpos das mulheres e de sua sexualidade para a reprodução da vida e a manutenção do capitalismo tem sido um dos pilares que sustentam o sistema: com baixos custos, explora nossa força de trabalho e nossa criatividade, cobrando-nos o cuidado com todas e todos, em nome de uma abnegação “voluntaria” resultante da ideia da obrigatoriedade da maternidade. “Queremos somente poder dizer sim ou não a gravidez”, dissemos em nosso debate. A partir da discussão sobre nossa identidade como feministas, e da essência de nossa luta esta no questionamento das imposições sociais às mulheres, afirmamos a importância da luta contra a criminalização e pela legalização do aborto.

A partir das apresentações, constatamos que todas nós, de regiões tão diversas, estamos travando uma mesma luta, em um movimento contra a onda conservadora que ataca diretamente a nossa vida. Para as mulheres da América Latina a batalha está em torno da conquista e ampliação de direitos, enquanto na Europa o esforço está na manutenção de direitos já conquistados.

Outro aspecto comum foi ver a ousadia de grupos militantes que lutam para que todas tenham autonomia sobre seus corpos e suas vidas. As ações são inspiradoras!

Uma companheira da Argentina, militante da Marcha e da CTA – Central de Trabalhadores e Trabalhadoras da Argentina, nos relatou a luta que elas têm travado nos últimos 2 anos através da “Campana nacional por el derecho al aborto legal, seguro e gratuito”, que está composta por mais de 200 organizações . O aborto, no pais, não é punível apenas nos casos onde as mulheres são violentadas, como diz o Código Penal.

No ano passado realizaram duas grandes ações: uma no Dia Internacional de Luta das Mulheres, o 8 de março, onde articularam a luta pela legalização do aborto e a luta contra a privatização do trabalho e a igualdade salário. Em abril, organizaram uma mobilização com a participação de mais de 15 mil mulheres, cobrando do congresso que debatesse o projeto de lei, apresentado pela campanha, de interrupção voluntário da gravidez. Essa ação tornou público o debate, ocupando muito espaço nos meios de comunicação e contribuindo para o crescimento da articulação dos movimentos mulheres argentinas.

Já os relatos das militantes do Chile nos mostraram como vivem em um contexto de extremo conservadorismo, onde o aborto é crime em qualquer circunstância. Mesmo assim o movimento feminista tem uma ação audaciosa: mantêm uma linha telefônica que tem como objetivo informar aquelas que as procuram informações sobre o uso do misoprostol para a interrupção de uma gestação indesejada. As tentativas de encerrar a linha são inúmeras, mas elas continuam atuando. A proposta “Linha Aborto” teve seu início na Argentina e hoje há também, além de no Chile, no Uruguai.

Enfim, nos alegrou a presença uma companheira cubana, que mesmo vindo de um país onde as mulheres já têm conquistado o direito ao aborto há muitos anos, mostrou sua solidariedade afirmando que continuam em luta para que o direito ao aborto legal e seguro chegue às mulheres de todos os povos. “Se há uma mulher que sofre, isso também é um assunto de nós, cubanas”. E de todas nós, completamos!

*Sarah Luiza (CE) e Maria Fernanda Marcelino (SP) são militantes da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil.

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  1. Minha chará Sarah Luiza

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  1. […] Movimientos feministas como la Marcha Mundial de las Mujeres colocan en íntima relación las restricciones al aborto con el control del cuerpo de las mujeres, de su reproducción y su sexualidad, que en la sociedad patriarcal y capitalista se coloca al servicio de la acumulación de capital. “La utilización del cuerpo de las mujeres y su sexualidad para la reproducción de la vida y el sostenimiento del capitalismo ha sido uno de los pilares que sustentan el sistema: con bajo costo, explota nuestra fuerza de trabajo y nuestra creatividad, demandándonos las tareas de trabajo (no remuneradas) en nombre de una abnegación voluntaria resultante de la idea de la obligatoriedad de la maternidad. Nosotras decimos: queremos sólo poder decir sí o no al embarazo”, señalan en Sao Paulo las activistas brasileñas Sarah Luiza y Maria Fernanda Marcelino. […]

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