Ô da Poltrona, Você que está nos assistindo, se liga: Mulher não é objeto que se compra ou se toma à força!

*Patrícia Rodrigues

Fiquei o feriado de Natal pensando qual seria o tema para esse post, infelizmente não é muito difícil escrever e falar sobre os problemas referentes à vida da mulher.  Se fossemos falar todos os problemas de uma vez aqui, seria uma lista sem fim.

É só ligar a televisão e, enxurrada de notícias que comprovam todos os dias o quanto nossa luta e auto-organização são imprescindíveis e ver o quanto temos para avançar. São notícias que tratam de violência contra a mulher, à falta de creches e mortes… Mas e os jornalismos, são responsáveis e respondem ao modelo de respeito às nossas pautas? A resposta é: NÃO! NEM UM POUCO!

Recentemente, ouvimos o comentário do apresentador do Balanço Geral da TV Record, Sr. Geraldo Luís.  A respeito de uma mulher que foi espancada pelo seu marido e não fez o B.O, ele disse: “tem mais é que apanhar mesmo e apanhar bem, já que ela se recusou a fazer o B.O. Porque é mulher de malandro e gosta de apanhar. Já que desperdiçou todo aparato da policia que estava cuidando do caso”.

Esse senhor aí incita violência contra a mulher e é apresentador de um dos grandes grupos que detêm o monopólio das comunicações no Brasil. Exemplos não faltam acerca do papel que a mídia cumpre na reprodução das relações de opressão da mulher, seja nas propagandas veiculadas, por meio do telejornalismo, na banalização de cenas de violência contra à mulher em novelas e comerciais que incitam estupro http://migre.me/cxsv9

violencia-contra-mulher-por-carlos-latuff 1Ninguém é ingênuo de achar que os meios de comunicação não constroem valores, constroem sim, valores que se disseminam todos os dias, que pautam agendas de discussão e influem poderosamente na construção de subjetividades e reprodução de determinados padrões de relação.

Esse fim de semana mais um absurdo midiático e de jornalismo ruim. O portal de notícias UOL, que pertence à Folha de São Paulo de Otávio Frias Filho, permite aos usuários assistir à simulações de estupro. Sim isso mesmo, ESTUPRO.

A UOL lançou um pacote com filmes pornográficos que inclui um filme “As violadas” http://migre.me/cxytW com cenas que mostram mulheres sendo estupradas, chorando, lutando contra seus agressores e sendo violadas. #Absurdo.

Não bastasse esse fato, dia 21/12 a UOL transmitiu o RirTrospectiva, com comediantes de Stand Up, e qual não foi o absurdo de que pelo menos dois deles banalizaram o estupro de uma vulnerável, transmitido em rede nacional no BBB, algo do tipo “mulher feia tem de agradecer por ser estuprada”. Por quê tanta preocupação, afinal “ é só piada, só um filme para alimentar fetiche dos homens”…

De algum tempo existe uma tentativa de amenizar situações como essa, e vem de todos os lados, seja do jornalismo, de reality shows, propagandas de cerveja, patrocínio a banda New Hit cujos integrantes estupraram duas adolescentes, ou mesmo na tentativa de se criar lei para que a palavra estupro seja trocada pela de “assalto sexual”.

O resultado é que, tratadas como objetos que se compra ou se toma a força,  uma mulher a cada 12 segundos é estuprada no Brasil. Alguém tem dúvidas do quanto os meios de comunicação ajudam a reproduzir essas relações?

Em todos esses casos o estupro, isso mesmo, ESTUPRO é tratado com banalidade, como nada sério, e muitas vezes em tom de comédia, mas difundir campanhas contra à violência da mulher nenhum desses grandes grupos quer né!

Então que tal tomarmos o exemplo da Argentina e regularmos as comunicações no Brasil? Em meio a uma discussão sobre crimes na internet, aliás, lei aprovada antes mesmo de discutirmos o novo marco-regulatório, é possível mesmo que esse tipo de ação da UOL seja acobertada e nem falo que deveria haver restrições de acesso ao vídeo para menores de 18 anos, não! O vídeo em questão sequer deve ser veiculado porque incita estupro. ESTUPRO é crime, incitação e apologia de estupro TAMBÉM!

Estupro é CRIME! A culpa NUNCA é da vítima! - Autor - Carlos Latuff 2O debate acerca de um novo marco regulatório das comunicações e democratização dos mesmos deve incluir necessariamente a dimensão e luta pela mudança na reprodução dessas relações de opressão da vida das mulheres e precisa ser submetido a amplo debate, a fim de que não seja um arranjo superficial, mas que considere de fato que uma comunicação responsável só é possível na medida em que não reproduz ou exterioriza posições de opressão quaisquer que sejam.

 Um novo marco regulatório só será democrático e possível quando houver entendimento da necessidade de reproduzir um novo modelo de relação em que nós mulheres e nossos corpos sejamos respeitados/as, mulher não é objeto que se compra ou se toma à força!

 

 

Confira também: https://marchamulheres.wordpress.com/2012/12/12/violencia-contra-a-mulher-nao-e-o-mundo-que-a-gente-quer-estamos-atentas/

*Patricia Rodrigues é socióloga, militante da Marcha Mundial de Mulheres e da União dos Movimentos de Moradia.

Comments

  1. Ótima matéria.

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