Festival Mulheres no Volante – rumo à rede feminista nacional de cultura

Por: Bruna Provazi*

Neste final de semana (8 e 9 de dezembro), vai rolar a segunda edição do Festival Mulheres no Volante em Brasília (DF), reunindo múltiplas linguagens e expressões artísticas protagonizadas por mulheres. O festival surgiu em 2007, na cidade mineira de Juiz de Fora, diante da sensação incômoda de ir a eventos e só ver homens no palco e na produção, e da grande vontade de fazer alguma coisa pra mudar isso.

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Na primeira edição do evento, rolaram um debate sobre a mulher na arte, uma oficina de skate para meninas e shows com bandas femininas (com pelo menos uma mulher instrumentista). Já na segunda edição, em 2008, passamos a agregar também diversas outras manifestações artísticas, tais como fotografia, artes plásticas, videoarte, dança e literatura. Além de mais um debate, tivemos ainda cerca de dez oficinas diferentes, sempre com os objetivos de dar visibilidade às mulheres que produzem arte e inseri-las em universos ainda considerados como “masculinos”, tais como bateria, guitarra, skate, grafite, entre tantos outros.

De lá pra cá, nesses cinco anos de história, fizemos contato e trocamos experiências com mulheres de todo o Brasil que compartilham de nossas inquietações e, principalmente, da enorme vontade de botar a mão na massa pra começar a reverter esse cenário. Ao longo de nossa caminhada, fomos agregando muit@s colaboradoras(es), sem @s quais o MnV jamais seria do jeito que é hoje.

Rede de mulheres no volante pelo feminismo e pela cultura

Compartilhando experiências com mulheres de outras regiões surge a ideia de criar uma rede de mulheres no volante pelo feminismo e pela cultura. Em dezembro de 2011, realizamos nossa primeira edição fora de casa, em Brasília (DF), em conjunto com coletivos, artistas e movimentos da região. Em 2012, aconteceu a primeira edição do MnV em Campinas (SP), e agora aportamos em Brasília pela segunda vez.

Em 17 de março de 2012, aconteceu a primeira edição do Festival Mulheres no Volante em Campinas, interior de São Paulo.  A vontade de fazer um festival em Campinas surgiu depois de ir a vários shows e festivais em grandes centros: por que não existe algo assim no interior? Por que viajar para ver shows de bandas com meninas ou assistir a um documentário sobre o Riot Grrrl?

Na programação do festival havia uma oficina de estêncil, roda de conversa sobre a cena feminista do interior paulista, exibição de documentários e shows. O que aconteceu foi muito maior que isso (\o/).

Foi incrível ver uma vontade nascer e se concretizar através do trabalho coletivo. Foi empoderador ouvir de tantas pessoas que a cena feminista também fazia falta a elas. Fazia falta a ponto de viajarem três horas só pra dividirem suas experiências pessoais, suas lágrimas emocionadas depois de um desabafo compreendido, seu grito quando as bandas tocaram.

Naquele sábado, mais que um festival, um sonho foi realizado.

(Ana Paula Farias – MnV Campinas)

Oficina de batucada da Marcha Mundial das Mulheres no MnV-Campinas. Março/2012

Oficina de batucada da Marcha Mundial das Mulheres no MnV-Campinas. Março/2012

Nós costumamos dizer que queremos mudar o mundo começando pela cultura. Nosso sonho sempre foi espalhar a ideia do feminismo por todos os lugares, e a melhor maneira de fazer isso é em rede.

O percurso é longo: a discriminação e o acesso desigual das mulheres à (produção de) cultura, à política e ao mercado de trabalho, infelizmente, ainda é uma realidade. Ainda somos responsabilizadas pelo trabalho de cuidado da família e da casa, tendo menos tempo pra nos dedicar a outras atividades. Gastamos em média 25 horas por semana com o trabalho doméstico, enquanto os homens gastam apenas 10 horas. No mercado, somos 57,6%, contra 80,5% dos homens, e ainda recebemos menores salários (em média, R$ 700,88 reais, contra R$1070,07), mesmo tendo maior grau de escolaridade. A violência de gênero espanca uma mulher a cada 15 segundos em nosso país. Apenas 50% das brasileiras está satisfeita com sua aparência física, enquanto 70% dos brasileiros estão plenamente satisfeitos. Nos grandes festivais ao redor do mundo, não é diferente. Em Glastonbury (Inglaterra), em 2011, as mulheres foram apenas 1/24 do total de artistas a tocarem nos principais shows.

No sábado tem show com a banda Cretina (RJ)!

No sábado tem show com a banda Cretina (RJ)!

Queremos contribuir para superar essa situação criando uma grande e autônoma rede nacional de mulheres na e pela cultura, respeitando as demandas e especificidades de cada região. Os cenários são parecidos, o sexismo é cotidiano e se repete, mas onde quer que haja mulheres inquietas, haverá maneiras criativas de transformar essa situação.

Inspiradas por tudo isso, convidamos a todas as minas feministas pró-ativas deste Brasil para uma conversa no sábado:

– 16 horas – CULTURA FEMINISTA: VIVAS !

PRÁTICAS FEMINISTAS NA CULTURA: QUEM SOMOS … TROCA DE EXPERIÊNCIAS ENTRE PRESENTES E O QUE PODEMOS, QUEREMOS, DEVEMOS E PRECISAMOS SER !

CONVIDADAS:
MUJERES CREANDO – JULIETA PAREDES CONFIRMADA, CORPUS CRISIS, MARCHA DAS VADIAS, MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES, FÓRUM DE MULHERES DO DF, FESTIVAL ROQUE PENSE, PRETAS CANDANGAS, BLOGUEIRAS FEMINISTAS, MULHERES NO VOLANTE)

A ideia é trocar experiências e fortalecer essa rede de maneira colaborativa e solidária. No domingo, a prosa segue:

16 horas – Frente Feminista pela cultura (Debate sobre Políticas públicas de Cultura e FEMINISMO)

Em junho deste ano, participei da mesa de abertura do Festival Roque Pense, em Nova Iguaçu (RJ), representando o Festival Mulheres no Volante, junto com umas minas firmeza de Recife, do coletivo Flores Crew. O debate foi em formato de programa de rádio, transmitido ao vivo pela internet, e com a banda feminina Catillinárias tocando nos intervalos. Foi um momento muito fortalecedor e de troca pra tod@s nós. Neste final de semana, a Giordana e a Letícia, do Roque Pense, vão se juntar à nossa roda no Distrito Federal.

MnV + coletivo Flores Crew na abertura do Festival Roque Pense (RJ). Junho/2012

MnV + coletivo Flores Crew na abertura do Festival Roque Pense (RJ). Junho/2012

Queremos fortalecer ainda mais nossos laços e estabelecer parcerias. Pra nós do MnV, é muito importante manter o festival independente e auto-organizado por mulheres. Já pensou se tivéssemos um fundo colaborativo feminista nacional? Quanta coisa não daria pra fazer juntas… O canal está aberto… O convite está lançado a tod@ que queiram se somar!

A Marcha Mundial das Mulheres também vai participar dos debates e, durante o evento, faremos uma transmissão especialíssima do Buteco das Mina (a nossa Twitcam feminista) pra conversar com quem ficou com vontade, mas não pôde ir até Brasília, e pra compartilhar um pouco do que está acontecendo por lá. Pra quem quiser acompanhar de casa, também será montada uma web rádio livre feminista e, claro, vamos atualizar nossas redes sociais durante todo o MnV.

Caindo na estrada novamente, saímos da zona da mata mineira com destino ao cerrado brasileiro, rumo a fortalecer a articulação das mulheres na e pela cultura. E é exatamente por achar que existem mulheres no volante, assim como nós, por todo o Brasil, é que queremos inspirar mais garotas a ligarem seus próprios motores.

Queremos inspirar mais mulheres a assumir o volante de suas bandas, de seus festivais e de suas próprias vidas.

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Todas as atividades do Festival Mulheres no Volante – DF são gratuitas.

O MnV é um festival autogestionado e autônomo. Seu apoio é fundamental para fazê-lo acontecer. Contribua com qualquer quantia em nosso fundo colaborativo.

Veja a programação no site do MnV:

http://mulheresnovolante.com/

@mulheresvolante
mulheresnovolante@gmail.com

http://www.facebook.com/festivalmulheresnovolante
http://www.youtube.com/mulheresnovolante

*Bruna Provazi é organizadora do Festival Mulheres no Volante e militante da Marcha Mundial das Mulheres.

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