Somos protagonistas, só que não

Por: Caroline Bernardo*

Já faz algum tempo que a mesma ideia vem martelando minha cabeça e as cabeças de muitas outras feministas, com certeza. Quando somos nós as “protagonistas” da história de luta de um povo, quando somos líderes de revoluções, sempre, sempre, sempre ocupamos um papel minoritário, e não de protagonistas, mas de meramente coadjuvantes.

Não, eu não estou sendo “muito feminista”, não essa não é uma reclamação porque as feministas são chatas, e não me venha com nenhum desses clichês. Estou falando de Olga Benário e Frida Kalo, por exemplo. Filmes que voltei a ver nessa última semana, excelentes por sinal, só que não representam de verdade a luta dessas duas mulheres.

Esses filmes minimizam a luta dessas duas mulheres de luta, para contar e voltar seu norte para a vida afetiva e sexual de ambas. Ao invés de contar a verdadeira história de ambas para informar e dar o devido respeito à história, esses filmes, convenientemente, optam por tratar durante várias horas dos inúmeros relacionamentos de Frida, das traições, entre outras coisas. No caso de Olga também, ao invés de mostrar o papel que Olga teve no Partido Comunista e na Intentona Comunista de 1935, prefere contar as dificuldades que Olga teve ao ser forçada a deixar seu marido e sua filha.

A nossa história – a história do mundo – é contada por homens a partir de seu olhar masculino, que não raro é permeado por machismo e sexismo, assim como todos os olhares que não se policiam contra isso. Outro fato importante é que para a “grande mídia” o que dará mais lucro é mostrar romance, amor, traição, sofrimento. E não contar o papel de mudança, de empoderamento e de revoluções particulares na guerra, nas artes que mulheres como Olga e Frida foram capazes de realizar.

Como romper? Bom, precisamos ser protagonistas. É necessário que mais mulheres escrevam, publiquem livros, sejam pesquisadoras, diretoras de filmes, roteiristas enfim… Precisamos estar em todos os lugares denunciando o machismo e o sexismo e colocando a nossa visão do mundo, que é igualitária, porque feminista.

*Caroline Bernardo é estudante de Direito e Militante da Marcha Mundial das Mulheres.

Comments

  1. Olá! Não é coisa de “muito feminista não”, concordo totalmente com você ! Acho que esses filmes utilizaram da vida sexual delas, e afins, para se tornar mais “agradáveis” a um público menos atento. Apesar de ambos, com certeza, retratarem a força de personalidade dessas mulheres. Ótimo texto!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

%d bloggers like this: