Participação e desvalorização das mulheres no mercado de trabalho.

*por Ana Carolina Radd

De acordo com os últimos censos e pesquisas realizadas pelo IBGE há um grande crescimento da proporção de famílias chefiadas por mulheres. No entanto, são mulheres, mais da metade da classe trabalhadora desempregada, comprovando uma desigualdade entre os sexos, desfavorável para as mulheres.

Dados da Fundação Perseu Abramo de 2001, mostram que a maioria da população que ganha um salário mínimo ou menos são mulheres, principalmente as negras, e representam quase metade das mulheres que estão no mercado de trabalho. Representado em sua maioria pelas empregadas domésticas.

Outro fator que demonstra a desigualdade entre os sexos encontrado em nossa sociedade é a questão salarial. As mulheres ganham em média 30% a menos que os homens que ocupam a mesma função, ainda que com mais anos de estudos.

Embora a força de trabalho feminina esteja em ascensão é proporcionalmente pequena e profissionalmente marginal. O que comprova isso é o fato de grande parte das mulheres trabalhadoras estarem concentradas em profissões e tarefas piores remuneradas. A população ativa feminina está concentrada no setor terciário, principalmente em algumas atividades, como serviços comunitários, serviços de educação, serviços de saúde e serviços domésticos. Grande quantidade de mulheres que participam do mercado de trabalho exercem atividades de média e baixa qualificação profissional.

Existem ainda vários outros problemas relacionados à população ativa feminina. Além da pequena participação no mercado de trabalho e a marginalização profissional como rendimentos salariais em geral, muito inferiores aos dos homens, tem ainda a questão da dupla jornada de trabalho – no emprego e no lar – que sobrecarrega violentamente a mulher. As mulheres são responsáveis pelo cuidado da casa, dos filhos, doentes e idosos, restringindo seus horários disponíveis, limitando suas possibilidades no mercado de trabalho.

Pesquisa realizada pelo IBGE, os afazeres domésticos ainda são em sua maioria afazeres femininos. Segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), elas gastam em média 22 horas semanais com afazeres domésticos enquanto eles somente 9,5 horas. Devendo-se considerar que o padrão sócio-econômico das famílias brasileiras mudou e está cada vez mais aumentando o número de mulheres no mercado de trabalho.

Deve-se considerar ainda que a população com 12 anos ou mais de estudos dobrou, e triplicou a frequência em Universidades, segundo o IBGE. Em 2006 a maioria nas universidades era de população feminina, e representava 56,1% da população com mais de 12 anos de estudo (IBGE, 2006).

Conforme pesquisa realizada pelo IBGE, nessa população ativa, com mais de 12 anos de estudo, a distribuição continua desfavorecendo as mulheres. Entre os homens ocupados, 15,8% compõem as indústrias, 15,6% no comércio e reparação, 22,3% em outras atividades, e apenas 16,8% em educação, saúde e serviços sociais. As mulheres com esse mesmo nível de escolaridade, 44,9%, quase a metade ocupam os setores de educação, saúde e serviços sociais. Ocupam em grande parte o setor de serviços, sendo esse, área que pode ser considerada extensão das atribuições familiares e domésticas. Fatos estes reveladores do tratamento desigual a que as mulheres estão sujeitas podendo-se concluir que o caráter patriarcal e machista da sociedade brasileira está na base da marginalização profissional da mulher.

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