Aborto: pelo direito de decidir, pela descriminalização e legalização do aborto

Ação da Marcha Mundial das Mulheres do Ceará na praia de Iracema, em Fortaleza.

Hoje, 11 de novembro de 2012, nós, militantes feministas da Marcha Mundial das Mulheres do Ceará, fomos ao aterrinho da Praia de Iracema, em Fortaleza (CE), para mostrarmos à sociedade que também somos a favor da vida. Para mostrarmos nossa indignação à criminalização das mulheres que recorreram à prática do aborto.

Não acreditamos que o aborto é questão de polícia, mas de saúde pública. Ao tratar o aborto como crime, acabamos por contribuir para que milhares de mulheres, em sua maioria negra e pobre, morram.

Essa hipocrisia dá hemorragia

Tratá-la como um ato clandestino, preferindo negar a realidade da falta de uma política pública integral de saúde sexual e reprodutiva, tem trazido problemas de saúde física e psicológica para as mulheres, além de risco de morte.

A prática do aborto clandestino é a quinta maior causa de internação hospitalar de mulheres no SUS, responde por 9% das mortes maternas e 25% das causas de esterilidade por problemas tubários. Cerca de 60% dos leitos de ginecologia no Brasil são ocupados por mulheres com seqüelas de aborto.

Tratar as mulheres que por algum motivo acabaram por recorrer à prática do aborto como criminosas não resolverá o problema, pois ao negá-lo continuaremos vendo mulheres sangrando nos corredores dos hospitais sem atendimento, além de serem maltratadas no serviço de saúde pela simples suspeita de terem provocado um aborto.

Não podemos deixar de considerar que na sociedade machista em que vivemos grande parte as mulheres ainda têm pouco autonomia sobre seus corpos, sobre a decisão no uso dos contraceptivos e frente ao desejo da maternidade. Ainda assim são elas que sofrem a acusação de criminosas. Por isso perguntamos “Cadê o homem que engravidou? Porque o crime é da mulher que abortou?”.

Não nos cabe julgar os motivos que fizeram uma mulher buscar o abortamento, nem acreditamos que a questão deva ser tratada a partir de uma perspectiva religiosa. Vivemos em um estado laico que não deve permitir que as religiões definam as leis e se imponham sobre a vida de todas as pessoas.

Precisamos acabar com essa hipocrisia! Muitas mulheres estão morrendo! Defender a vida é defender a legalização do aborto com assistência garantida no Sistema Único de Saúde.

Educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar, aborto seguro para não morrer!

Fortaleza, 11 de novembro de 2012.

Marcha Mundial das Mulheres – Ceará

Comments

  1. Gosto da idéia de vocês em relação ao aborto. O problema é que a maioria das mulheres que se dizem feministas e que são a favor do aborto (pelo menos as feministas da internet), não sabem o porquê disso. O discursso é: “a mulher é dona do seu corpo”. Não sabe nada além disso e parece que a frase não passa de pirraça por parte da mulher.

    ” Educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar, aborto seguro para não morrer! ” Certíssimo 🙂
    1º – Educação 2º- Contraceptivos , por último o aborto. Que deve ser feito em último caso. Não apenas por fazer =]

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