Forma de extermínio

O documento Paraíso terreal, escrito por Fray Bartolomé de Las Casas no início do século XVI, dá conta das crueldades com que os europeus (no caso, espanhóis) que dominaram as Américas, tentaram exterminar os que aqui encontraram.

As tentativas de genocídio não se restringiram nem no espaço nem no tempo. Em terras brasileiras também ocorreram e ainda ocorrem. Egydio  e Doroti Schwade cansaram de denunciar o assassinato de mais de 2 mil Waimiri-atroari durante a ditadura no Brasil (1964-1985), inclusive aspergindo veneno na aldeia por ocasião de festa de confraternização com índios que vieram de outras aldeias.

Décadas atrás, o então governador da Bahia, Antonio Carlos Magalhães, fez a criminosa doação, a fazendeiros, de terras dos indígenas Pataxó. Para garantir a doação, seu amigo, o deputado Roland Lavigne, esterilizou mulheres indígenas desse Povo Pataxó Hãe Hãe Hãe. A então coordenadora do Grumin, Eliane Potiguara, classificou como uma forma de extermínio.

Com o “objetivo de eliminar a pobreza no país” (Peru), entre 1996 e 2000, 215.277 mulheres pobres, a maioria indígenas, foram submetidas à laqueadura de trompas, a mando do então presidente Alberto Fujimori (1990-2000), com o auxílio de três de seus ministros da saúde; 18
> morreram. Pelo menos 2.074 mulheres, da Associação de Mulheres Afetadas pelas  Esterilizações Forçadas de Cuzco, moveram ampla ação, com apoio da quéchua, então deputada federal Hilaria Supa, hoje membro do Parlamento Andino. Foram às ruas exigindo reparação, portando cartazes: Esterilización forzada es crime de lesa humanidad. O ministério público, após adiar as investigações durante anos, acaba de arquivar as denúncias.

Fujimori, por outros tantos crimes, foi julgado e condenado. Fugiu para o Japão mas retornou na ilusão de se recandidatar à presidência. Encontra-se na prisão, assim como outros 32 acusados.

Em outubro de 2011, o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) publicou nota chamando a atenção das autoridades para o ação de madeireiros que desmatam terras indígenas e os ameaçam, respaldados por poderes políticos locais, desdenhando as forças de segurança, pondo em risco o Povo Awá-Guajá que perambula em cinco terras demarcadas no Maranhão.

O que ocorre com os Guarani-Kaiwoá é indescritível: pode ser considerado genocídio. Expulsos de suas terras, não podendo sobreviver nas exíguas faixas de terra em que foram confinados, desde 1986, 863 índios já se suicidaram. São alvos contínuos de pistoleiros que têm assassinado muitos deles, inclusive o cacique Nisio Gomes em 2011. Os Guarani-Kaiwoás têm peregrinado pelos corredores da justiça (justiça?) e pedido apoio dos vários movimentos sociais. O CIMI publicou nota em que considera os ataques sofridos pelos índios da aldeia Pielito Kue (23.08 e 05.09.2011) como ações terroristas e genocidas.

Iolanda Ide é militante da Marcha Mundial das Mulheres em Lins/SP

Comments

  1. Uma história triste que parece está longe de ter um final feliz,estamos vivenciando a violência como se fossemos espectadores de filmes de ficção,esquecemos facilmente das vidas humanas que se perdem,da natureza que se acaba,do nosso futuro cada vez mais tão incerto…E achamos mesmo que somos civilizados, evoluídos.

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