Lugar de mulher é na política!

*Por Ana Carolina Radd

Neste ano de 2012 se completou 80 anos da conquista do direito ao voto feminino no Brasil. Foram mais de 40 anos de luta pela aquisição dos direitos políticos. Hoje, embora sejam a maioria do eleitorado brasileiro as mulheres ainda estão bem atrás dos homens quando se trata de concorrer a um cargo político. Reflexo de uma cultura patriarcal que associa a vida pública à atividade masculina e a tal “feminilidade” ao meio privado. E essa divisão sexual do trabalho, infelizmente, muitas vezes é reproduzida pelas próprias mulheres, que acabam tendo que optar por ficar em casa cuidando das atividades domésticas, ou seguir alguma profissão atribuída pela sociedade como feminina, que de um modo geral, são aquelas que estão diretamente ligadas ao cuidado e a educação.

No entanto não é apenas a falta de interesse por parte das mulheres pela política que fazem com que seja minoria no meio público, a cultura, a falta de incentivos dos partidos e o próprio sistema eleitoral são fatores que afastam as mulheres da política.

Há que se ressaltar que muito tem avançado, embora a passos lentos, no que se refere ao empoderamento feminino no Brasil, nas eleições de 2010 foi eleita a primeira mulher para o cargo de chefia da República e o Brasil passou a compor o quadro dos 20 países do mundo que possui mulher no cargo máximo do Poder Executivo. Na América Latina está entre os 4 que tiveram mulheres ocupando o cargo presidencial, ao lado da Argentina, do Chile, e da Costa Rica. Outro fato importante foi que o número de ministras (TSE) cresceu e aumentou a presença de mulheres na presidência de empresas e órgãos públicos, como no IBGE e na Petrobrás.

No entanto a participação feminina no Senado Federal e na Câmara dos Deputados ainda é ínfima, e isso se repete na representatividade nos estados e nos municípios.

Na ultima eleição municipal, o percentual de candidatas do sexo feminino aumentou 21,3% com relação a 2008, a quantidade de mulheres aleitas também aumentou mais de 31,6% com relação a eleição anterior, considerando todas as prefeituras do paí, segundo dados do TSE. Entretanto caiu o número de mulheres eleita prefeitas em capitais. Nota-se que a participação das mulheres ainda é bem pouco significativa tendo em vista, que num total de 15.128 candidat@s registrados concorrendo a prefeitura de todo país apenas 13,39% eram mulheres.

Para incentivar a participação das mulheres na política alguns mecanismos já foram criados, como por exemplo, a Lei de Cotas, que hoje determina que os partidos inscrevam pelo menos 30% de candidatos de cada sexo e dê apoio financeiro e espaço no programa eleitoral gratuito para o sexo minoritário na disputa. Mas a lei passa a ser ineficaz quando esse quadro não é preenchido e alguns partidos ao invés de incentivarem e dar suporte para as candidaturas femininas lançam candidatas laranjas apenas para cumprimento das cotas, não dando às mulheres as condições de disputar uma eleição de fato, mas esse é um outro assunto que não convém ser abordado neste post.

É preciso criar outros mecanismos de incentivos institucionais a participação feminina. Pois não basta termos muitas candidatas, é preciso elegê-las de fato. Isso implica numa batalha cultural, de longo prazo, é preciso desconstruir diversos conceitos arraigados na sociedade que definem o que é masculino e o que é feminino para demonstrar que é perfeitamente razoável e possível que mulheres ocupem posições de poder tanto como os homens, e principalmente que esta escolha não a torna menos ou mais mulher.
*Ana Carolina Radd é do Maria Maria – núcleo da Marcha Mundial das Mulheres em Juiz de Fora, MG.

Comments

  1. Carolina, é verdade! Essa eleição mostrou como os partidos tem mais uma vez se utilizado das mulheres ao registrarem suas candidaturas apenas para preencherem a cota, sem darem condições reais para que elas se elejam. Em algumas situações as “candidatas” nem ao menos apresentam seus nomes, sendo cobradas a fazerem campanhas para o “verdadeiro candadidato”. Muito importante pensarmos criticamente sobre isso. Muito interessante!

  2. Desconstruir os conceitos arraigados na sociedade sobre feminino e masculino!Você disse muito bem!E é essa desconstrução que dará lugar a idéias mais justas sobre s diferentes formas de expressão humana independentemente do sexo ao qual pertença.

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