Mulheres de Minas*

Clarisse Goulart Paradis**

Foto: André Correa

O sangue que corre nas veias
das mulheres de Minas
tem cadeias de carbono
é sangue ferroso, viscoso
Carrega zinco, cobre e ouro

Seu corpo pesa
Na pele, nas vísceras, no osso, nos olhos
A poeira, o veneno, as roças, as mortes

Seu sangue (es)corre
Nas montanhas agora não mais ali
No território inflamado
Embriagado, torturado.

Sua voz ecoa
Por entre as fendas do chão
Por entre as panelas de barro
Por entre as gravatas e ternos alinhados

As mulheres de minas persistem
Penetram os pés no chão
Rasgam as palavras inúteis
Deságuam esperança
Traduzem resistência

(A)colhem a vida no limite de seus corpos
Profanam liberdade
Costuram a luta do povo
Em pano colorido

** É militante da Marcha Mundial das Mulheres-MG e mestranda em ciência política pela UFMG

*Escreveu este poema em homenagem às mulheres lutadoras de Minas Gerais,  especialmente as que resistem à destruição e aos abusos das mineradoras.

Comments

  1. Que lindo! Não sabia do seu lado poético! Parabéns!

  2. LindO!!!!!!!!!!!!!!

  3. Helga Midori Iwamoto says:

    Lindo! Me identifiquei totalmente!

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