A mulher e as novas tendências do “ser mulher”

Por: Carina Scaldini*

A roda de conversa foi “A Mulher 2.0”. Mas que mulher é essa? Para mim, é aquela que vive em dupla ou tripla jornada: conseguiu sair para estudar e trabalhar, mas ainda permanece às voltas com as velhas obrigações destinadas às mulheres: o cuidado com a casa, com ela mesma, a heteronormatividade, o casamento, a maternidade. É a tal da mulher multitarefas, pois insistem em dizer que nós damos conta, que podemos pensar e fazer várias coisas ao mesmo tempo. Para piorar, falam que é uma característica natural da mulher. E tem gente que compra essa ideia.

Podemos encontrar a “mulher 2.0”, por exemplo, nas revistas femininas. Paga-se caro por várias páginas com dicas de comportamento – como se comportar no primeiro encontro, o que eles gostam em uma mulher, dicas para se dar bem no primeiro encontro, etc; dietas e exercícios físicos para entrar em forma; as novas tendências de moda e beleza; receitas de cozinha; e alguma coisa sobre a realidade do mundo em que vivemos. Tudo sempre novo, para a mulher se readequar e ao mesmo tempo fingir que está atualizada com o que acontece por aí.

Com toda a pressão que a mulher vem enfrentando na atualidade – sair para viver o espaço público, mas continuar com as antigas obrigações (que infelizmente ainda as definem como mulher) – é preciso refletir: de onde vêm as nossas necessidades? Estamos fazendo as nossas escolhas com base em nós mesmas e no que queremos para a nossa vida, ou estamos nos deixando levar pelas exigências, pela falsas necessidades que a mídia nos coloca e por como os outros nos vêem?

Pois é muita injustiça: para serem livres, mulheres estudam e trabalham para contribuírem com essa engrenagem, que exige a tal da feminilidade como se fosse algo natural, e as apertam em padrões que elas não sustentam (ou se sacrificam para sustentar).

*Carina Scaldini é militante do Coletivo Maria Maria, núcleo da Marcha Mundial das Mulheres em Juiz de Fora (MG).

Comments

  1. É… Eu vivo nessa dúvida a algum tempo! Sempre fico nos questionamentos da vida, e o que mais me preocupa é o ser mãe… Poxa, quero ter uma vida profissional bem sucedida, mas quando tiver filhos quero ficar 24 horas perto deles até seus 4 anos de idade! Iaí? A vida é dura!

  2. Conheça meu blog também, que é novo! http://variavelmutativa.wordpress.com/
    Obrigada ^^

  3. Edna Albuquerque says:

    A mulher por mais independente que seja,se não tiver apoio em relação as tarefas e aos problemas domésticos sempre vai encontrar dificuldades para sair de sua rotina e buscar também sua realização na esfera pública.

  4. “É a tal da mulher multitarefas, pois insistem em dizer que nós damos conta, que podemos pensar e fazer várias coisas ao mesmo tempo. Para piorar, falam que é uma característica natural da mulher. E tem gente que compra essa ideia.”

    Bem isso mesmo. Depois que li o excelente Homens não são de Marte, Mulheres não são de Vênus da Cordelia Fine, qualquer coisa que falam que é diferença biológica entre homens e mulheres já fico de orelha em pé.

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